Emerson Cervi
De Curitiba
A polêmica sobre quem vai perder e quem vai ganhar com a nova lei de zoneamento de uso de solos de Curitiba não está restrita a questões financeiras. Essa é apenas a preocupação dos empresários do setor. Mas entre os profissionais de urbanismo existem outros pontos sem unanimidade. Um deles é que algumas áreas da cidade não estariam preparadas para transformação radical de suas características atuais. Uma das áreas nessa condição seria o trecho urbano da BR-116.
Hoje destinada a atividades comerciais e industriais, a rodovia será transformada em avenida de trânsito contínuo, com incentivo construção de moradias e para prestadores de serviços, como acontece no eixo estrutural norte-sul desde 1966. O adensamento seria pré-condição para a implantação do primeiro trecho do sistema de transporte de alta capacidade, o metrô elevado.
Ensaio feito por alunos da 3ª série do curso de arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenado pela professora Yara Vicentini, mostra que as transformações urbanísticas naquele setor da cidade serão radicais com a nova legislação. O estudo foi apresentado na reunião de fundação do Fórum em Defesa da Cidade como um alerta aos resultados da proposta defendida pelos técnicos do Instituto de Pesquisas e Planejamento de Curitiba (Ippuc).
Atualmente a densidade populacional na área da BR-116 é de 52 habitantes por hectare. ‘‘Mesmo com o H/6 (afastamento lateral mínimo de um sexto da altura do edifício) essa densidade pode chegar a 400 habitantes por hectare em poucos anos, o que causará transtornos para os futuros moradores daquela região’’, explica a professora. Outro problema apontado é que o projeto não especifica como será a construção de prédios públicos para atendimento da nova população.
O presidente do Ippuc, Luis Hayakawa, acredita que projeções teóricas podem induzir a erros e garante que a modificação urbanística da BR-116 não será tão radical. ‘‘A cidade é muito dinâmica e vários pontos da BR-116 vão ser transformados em zonas especiais, com a manutenção das características atuais’’, afirmou.
Hayakawa cita as projeções feitas em 1965, quando foi criado o plano diretor de Curitiba, para exemplificar a indução a erros. ‘‘Os técnicos de 1965 estimaram que em 2000 Curitiba teria uma população de 3,5 milhões de habitantes e hoje não temos nem a metade disso’’, afirmou.
Segundo o presidente do Ippuc, a nova lei de zoneamento não prevê o adensamento da BR-116 como pré-condição para a primeira linha de metrô da cidade. ‘‘O metrô vai atender uma demanda metropolitana por transporte e não apenas para as pessoas que moram ou trabalham naquele setor da cidade.’’
‘‘Há muitas famílias que já moram ou trabalham nas proximidades da BR-116, os instrumentos para adensamento do trecho urbano da rodovia têm o objetivo de promover a integração metropolitana ao mesmo tempo em que descentraliza o crescimento de Curitiba.’’ A primeira fase do projeto de implantação do metrô elevado de Curitiba deve estrar em funcionamento até 2004. Esse trecho vai ligar a região central a zona sul através do bairro Pinheirinho.Proposta da prefeitura de adensar BR-116 e ali construir o metrô elevado é debatida entre arquitetos e urbanistas
Albari RosaNOVA ROTALei de Zoneamento proposta pela prefeitura prevê modificações na BR-116 que será uma avenida de trânsito contínuoReproduçãoAEROPORTOUm trecho de aproximadamente dois quilômetros próximos do Aeroporto do Bacacheri não poderá ter prédios altos

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