Box do Shopping Popular é alvo de disputa
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quinta-feira, 13 de março de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Uma banca do Shopping Popular (Camelódromo) está sendo motivo de disputa entre vendedores que trabalham no local. A vendedora Flaviane Cristina Carvalho acusa Fabiana Cristina Roque Siqueira de ter feito ameaças contra ela. Além disso, Flaviane reclama que as mercadorias do box onde trabalhava foram levadas sem sua autorização. Fabiana Cristina é esposa do ex-presidente da ONG Canaã (entidade representativa de 220 dos mais de 300 camelôs), Rogério Gonsales do Nascimento.
''Quero que seja feita justiça'', afirmou Flaviane. Ela contou que, no dia 16 de janeiro, foi ao novo Camelódromo em busca de uma loja para vender confecções. No local, teria conversado com Rita Roque, mãe de Fabiana, que lhe teria oferecido dois boxes um no segundo piso e a loja 9, no térreo. Flaviane escolheu a segunda.
''Não foi feito contrato de aluguel. E a Rita se recusou a assinar os recibos do aluguel de R$ 250,00 mensais'', disse Flaviane. Ela afirmou ter pago duas parcelas, em 16 de janeiro e 16 de fevereiro. A vendedora afirmou que começou a desconfiar de que a barraca não pertenceria a Rita quando recebeu uma correspondência no box endereçada a uma pessoa que não conhecia, Roselane Estevão. ''Achei que a banca poderia estar abandonada'', explicou.
No dia 31 de janeiro, ela entrou com requerimento na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) pedindo a posse do box, caso realmente estivesse abandonado. A situação fez com que Flaviane passasse a ser hostilizada no Shopping Popular. ''No dia 27 de fevereiro, a Fabiana veio até mim com ameaças. Tiveram que chamar os seguranças para ela não me bater. Ela dizia que a banca era dela e que eu estava tentando roubar'', afirmou.
Flaviane registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil, dizendo que foi ameaçada e não voltou mais ao Shopping Popular. Ela só retornou ao local na última segunda-feira. ''O meu cadeado do box tinha sido levado e outro foi colocado no lugar. As mercadorias sumiram. Me disseram que a Fabiana e mais umas quatro pessoas tiraram tudo na sexta-feira'', relatou Flaviane, que registrou novo BO no mesmo dia. ''Não quero tirar nada de ninguém. Se for provado que o box é dela (Fabiana), eu saio. Mas quero que compensem os gastos que tive. E exijo minhas mercadorias de volta.''
Fabiana, por sua vez, nega as acusações da vendedora. ''Minha mãe não alugou nada para essa moça, apenas propôs uma parceria, porque ela (a mãe) está doente e não pode trabalhar na banca'', relatou. ''Eu disse a Flaviane que ela sairia da banca por bem ou por mal, mas no sentido de que eu entraria na Justiça. Nunca a ameacei'', acrescentou. O box 9 está no nome de Artur Rodrigues da Borda, marido de Rita, falecido no final de 2002.
Gonsales diz que Roselane Estevão é a proprietária do box 56 e que a carta pode ter chegado ao número 9 porque, após o sorteio das bancas do novo Camelódromo, ela trocou seu box com Rita. ''Sobre as mercadorias, na semana passada fizemos um documento interno determinando a retirada do material, que está na administração do Shopping. A Flaviane agiu de má fé e quis tomar a banca'', afirmou. O casal também acusa Flaviane de ter exigido R$ 3 mil para sair do Camelódromo. ''Apenas pedi para que conversássemos sobre um ressarcimento pelos prejuízos que tive'', disse Flaviane.
O shopping, inaugurado no início do ano, abriga camelôs que antes trabalhavam nas avenidas São Paulo e Leste-Oeste.


