Botoeira, recurso ignorado pelo pedestre
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Duas vias de grande tráfego, as avenidas Saul Elkind (zona norte) e Duque de Caxias (zona sul), são as únicas de Londrina em que o pedestre tem o direito de acionar um dispositivo para parar o trânsito e atravessar a via. O equipamento, que atende pelo nome de botoeira, é praticamente ignorado, conforme observou a reportagem da FOLHA nesta semana.
Segundo os pedestres que se habituaram a exercer o direito de usar a botoeira, a ausência de uma sinalização mais clara explica a baixa adesão. No final da tarde de terça-feira, a maioria dos que precisavam transpor a Saul Elkind pela faixa de pedestre que liga a loja do SuperMuffato e da agência do Banco do Brasil aguardava uma "janela" do tráfego para se arriscar na travessia.
No caso da botoeira instalada no Centro Cívico, a situação é ainda pior: em 15 minutos de observação, nenhum uso (ver texto nesta página).
"A gente vê pessoas idosas, deficientes, gente com um monte de sacola nas mãos esperando muito tempo para passar sem que ninguém oriente ou avise que é preciso apertar o botão", contou Gisele Della Pola, que trabalha num estúdio de tatuagem, na sobreloja próximo à faixa. "Muitas vezes fico com vontade de gritar e avisar daqui", afirmou. "Falta uma sinalização mais clara", disse o tatuador Rogério Vertuan, que também testemunha da sobreloja a ineficiência do equipamento.
O casal diz que além do pouco uso da botoeira, a faixa de pedestre é ignorada pelos motoristas. "Alguns não param mesmo com o sinal fechado. É muito difícil para o pedestre. Falta educação", avalia o tatuador. "Tem uma outra faixa ali na frente (próximo à rotatória com a Rodovia Carlos João Strass) em que a situação é ainda pior. Ninguém para, ninguém dá vez aos pedestres. Infelizmente é uma faixa de enfeite".
A estudante Ana Carolina da Silva Matias disse que a botoeira nem seria necessário caso a campanha Pé na Faixa tivesse "pegado" na zona norte. "Aqui é pé na cova, isso sim." Ela diz que a botoeira é a única forma de o pedestre ter mais tranquilidade de transitar na faixa. "Sempre uso".
A pensionista Laura Sabino também entende que a desinformação sobre como funciona o sistema impede que mais pessoas sejam beneficiadas. "É um grande ajuda para quem precisa atravessar sempre a avenida como eu. Sem isso, a gente tem que esperar muito tempo".
Destruição
A reportagem testou o equipamento. Em média, após acionar o botão, o pedestre aguarda 10 segundos até que o sinal fique verde. Em todas as ocasiões, os motoristas respeitaram o sinal vermelho e o tempo foi suficiente para a travessia, mesmo para os idosos. No canteiro central, tem outro botão, muito pouco usado. No lado do Banco do Brasil, há um adesivo indicando outro equipamento que, no entanto, não está lá. De acordo com a assessoria de comunicação da Companhia Municipal de Urbanização, responsável pela manutenção, a botoeira foi destruída por vândalos.
De acordo com a explicação dos projetistas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), o botão de semáforo não é automático. Existe uma programação no controlador eletrônico preestabelecida para que haja uma extensão do sinal verde. Por exemplo, se não há um acionamento do botão, o verde vai ser contínuo para os veículos, caso contrário, haverá um tempo mínimo do sinal verde, passando em seguida para o vermelho. Dessa forma, informa o Ippul, o semáforo passa a funcionar como um cruzamento em que existe alternância do direito de passagem entre veículos e pedestres.


