Bosques viram centros de estudo e lazer
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de abril de 1997
Luciane Tonon Correspondente 
DedicaçãoAntenor Rabelo de Paula, responsável pela fauna: conversas diárias com os animais CORNÉLIO PROCÓPIO - Enquanto em muitos lugares consciência ecológica não passa de teoria, em Cornélio Procópio (a 80 quilômetros de Londrina) ecologistas e órgãos responsáveis pelo meio ambiente estão proporcionando oportunidades práticas de conscientização para a comunidade.
Bosques e fundo de vales abandonados estão sendo transformados em pontos de estudos e passeios, onde crianças aprendem a lidar com a natureza, brincando. O trabalho vem sendo desenvolvido pelo Grupo Ecológico Vida Verde, Secretaria Estadual do Meio-Ambiente (Sema) e prefeitura municipal.
Há um ano e meio, o bosque municipal Manuel Júlio de Almeida, que estava em situação de abandono, tornou-se uma unidade de conservação ambiental, o que possibilitou que a prefeitura fosse beneficiada com ICMS ecológico, repassado pelo Governo do Estado.
Nascia ali o único Ecocentro da região. Segundo a superintendente regional da Sema, Fátima Aparecida Roque, a idéia partiu do Grupo Vida Verde, com o auxílio do Unibanco e da prefeitura. Para que o Ecocentro pudesse atender a população e aos projetos desenvolvidos com escolas, a Sema forneceu todos os móveis e equipamentos, além de emprestar duas funcionárias para atendimento diário.
No Ecocentro são desenvolvidos trabalhos pedagógicos para atender crianças da pré-escola até 8ª série, da zona urbana e rural de Cornélio e região (ver texto abaixo). Outra mata que está em estudos para um trabalho de orientação ecológica em Cornélio é a mata nativa São Francisco, de 880 hectares.
DivulgaçãoPreservaçãoA construção do Ecocentro foi executada sem a retirada das árvores existentes
A sede do Ecocentro foi construída sem alterar a natureza do local - as árvores foram mantidas. A sede possui um auditório, biblioteca, sala de estudo, sala de exposição com animais empalhados, objetos da natureza e oficinas de aprendizagem, onde os estudantes aprendem a conhecer a natureza, suas formas, espécies e cheiros.
O bosque de 10 hectares, que existe há mais de 40 anos, tem uma vegetação nativa rica. Espécies como Peroba, Pau-dalho e Coração de Negro podem ser facilmente encontrados.
A engenheira florestal Vitória Tomé explica que a vegetação local caracteriza a flora do Norte do Estado. O bosque é um local ideal para pesquisas, disse. Segundo ela, o bosque tem 72 espécies e 34 famílias de árvores. Atualmente a engenheira está liderando a segunda pesquisa no local com financiamento da Fundação O Boticário.
Apesar de limitada, a fauna do bosque concentra algumas espécies já em extinção, como o tatu, jacú, esquilos, quati e algumas aves exóticas. O responsável pela fauna é o aposentado Antenor Rabelo de Paula, 73 anos, que diariamente alimenta e conversa com os animais.
Eles sabem quando chego e trago frutas para comer, conta. Antenor frequenta o parque há mais de 20 anos e conta que alguns animais já estiveram em cativeiros. Conheço cada folha e cada espécie que nasce aqui dentro. Muitas das árvores frutíferas foi ele mesmo quem plantou.
Amante da natureza, Antenor passa horas orientando os frequentadore do parque, principalmente grupo de estudantes. Sei dar aula de biologia sem mesmo ter frequentado escolas. Para ele, a natureza ensina muito. Uma das dicas de sobrevivência no mato ensinada por Antenor é sobre direção. Ele diz que quando uma pessoa estiver perdida e sem bússula, basta olhar para as árvores.
O lado mais verde e úmido da árvore indica o Sul, explica. O aposentado também sabe muito sobre as abelhas e formigas. É interessante a colaboração na família das formigas. Homem nenhum faz como elas, comentou.
Além de uma escola ambiental, o Ecocentro também conta com uma pista para caminhadas, de 1.600 metros. Vir correr aqui é uma terapia. Parece que a natureza absorve todos os nossos problemas, diz o vendedor Eli Amaral.


