Ontem de manhã, cerca de dez pessoas alojavam-se sob um quiosque no Bosque que fica no centro de Londrina. Recentemente, logo depois de a área ser isolada por alambrados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização
(CMTU), a FOLHA denunciou que alguns jovens tinham feito um buraco nessa cerca e estariam usando o local para consumir drogas. A denúncia partiu de aposentados que antigamente usavam o local para jogar cartas. Na tarde de ontem policiais militares do Batalhão de Choque estiveram no local revistando e retirando o grupo, que conta com mulheres e adolescentes. Nenhum tipo de arma ou droga foi encontrada.
  O grupo ficava na parte isolada do Bosque. Um outro jovem dormia em um canto da quadra esportiva, próximo ao parque infantil. ‘‘Ontem (quarta-feira) vieram quatro policiais e tiraram eles daí. Mas pouco tempo depois eles voltaram’’, comentou uma jovem que trabalha próximo ao local. Segundo ela, o fluxo de jovens entrando e saindo é constante.
  ‘‘Já fui ameaçado de morte por eles uma vez, ao estacionar o carro’’, revelou um morador das redondezas. Segundo ele, durante a noite esses jovens estariam furtando veículos e assaltando motoristas. Ele observou que as luzes do parque foram ‘‘apagadas’’ pelos jovens. ‘‘Já procurei a CMTU e a Polícia, eles ficaram de dar um retorno e até agora nada’’, reclamou.
  A reportagem conversou com um dos membros do grupo, um homem de 35 anos que preferiu não se identificar. Ele disse que vive na rua há alguns anos e tem como renda o dinheiro que arrecada atuando como ‘flanelinha’. ‘‘A gente não rouba ninguém’’, disse. Após ser revistado, o grupo foi retirado pelos policiais. Havia muita sujeira no local, revelando a falta de cuidados com a área, cravada no coração da cidade.
Manutenção
O diretor da CMTU, Mauro Yamamoto, disse que as cercas serão consertadas e a Sema deve providenciar a limpeza do local. ‘‘Conversei com o secretário hoje porque essa responsabilidade é da Sema. A Secretaria de Obras também vai retirar aqueles espaços cobertos e as mesas para evitar que sejam usados pelos moradores de rua. Quanto à segurança do local, isso deve ser feito pela polícia e não pela CMTU’’, enfatizou.
  O relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, afirmou que a polícia tem feito patrulhamento no local, porém o problema social deve ser combatido pelos órgãos públicos competentes. ‘‘Criminalmente, os que foram abordados nem têm como ser detidos. São cidadãos comuns, não estavam com drogas, armas, nada. Já acionei a equipe do Centro para reforçar o policiamento naquela região, mas se o problema dos moradores de rua não for resolvido eles continuarão por ali. Enquanto isso, qualquer pessoa que ver alguém cometendo um crime no local pode nos acionar.’’

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