Durante o dia, à luz do sol, as árvores, plantas, aves e pequenos animais parecem um refúgio da natureza bem no coração da cidade. Mas assim que anoitece, o Bosque de Londrina se torna um esconderijo para assaltantes, arrombadores e traficantes. A denúncia é dos proprietários de quiosques nas proximidades do Bosque e da Catedral. Revoltados e muito assustados, eles não sabem mais o que fazer para fugir da violência. Todos já foram assaltados ou tiveram os estabelecimentos arrombados pelo menos uma vez nos últimos seis meses; a maioria mandou instalar sistemas de alarme nos quiosques.
O quiosque de Alice Kunyoshi, na Avenida Rio de Janeiro, em frente ao Bosque, foi arrombado pela segunda vez em menos de uma semana. Ela está trabalhando no mesmo local há 30 anos e diz que nunca enfrentou uma situação como essa. Na madrugada de domingo, a porta do quiosque foi forçada e os ladrões levaram praticamente tudo que ela tinha, incluindo o estoque e eletrodomésticos. Na noite de terça-feira os ladrões repetiram o arrombamento, mas levaram apenas duas caixas de chicletes: ''Tenho certeza que são as mesmas pessoas'', garante Alice. Apesar de ainda nem ter pago o primeiro conserto da porta, a dona do quiosque garante que iria reforçar a segurança com mais cadeados.
O dono da Banca de Sucos Catedral, Fernando Pantaleão, não achou outra saída senão mandar instalar um alarme no quiosque depois de ter sido roubado duas vezes no prazo de um mês. Além do prejuízo de mais de R$ 1 mil, ele quase perdeu a banca: ''Eles puseram fogo aqui dentro. A gente sabe que são menores que se escondem no Bosque, mas eles não ficam presos'', reclama. Pantaleão só ficou mais tranquilo depois que contratou um vigia noturno. O salário do guarda é dividido com os artesãos que têm barracas na praça Marechal Floriano Peixoto.
O alarme da Livraria Dom Geraldo, que funciona embaixo da Catedral, não impediu que os ladrões limpassem o caixa no mês passado. Mas o maior problema da gerente Rita Isidoro Faustino é durante o dia. Uma dezena de menores e adultos costuma dormir nas escadas que dão acesso à porta da loja. Além de assustar os clientes que chegam logo cedo, eles também sujam o local: ''Todos os dias temos que limpar as necessidades fisiológicas que eles deixam na entrada da loja'', lamenta. Para resolver o problema, ela já mandou fazer uma grade que vai fechar a entrada da livraria durante a noite.
Outro que instalou alarme foi o dono da Garapeira do Bosque, José Liduário. Ele cansou dos arrombamentos e principalmente da sujeira e bagunça que os ladrões deixavam: ''da última vez sumiram até com o meu alvará''.

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