É só passar ao lado do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, área verde no centro de Londrina, que a funcionária pública Cristiane Aparecida Alves, de 46 anos, aperta o passo e segura a bolsa com mais firmeza. De dia, é assim que ela fica atenta para tentar evitar surpresas desagradáveis, como um roubo ou assédio por parte de quem perambula pela parte interna da área. De noite, faz diferente – evita o lugar. "A gente sabe que é perigoso. Dá medo de assalto, alguém tentar agarrar, essas coisas", diz.
Se numa época as reclamações envolvendo o Bosque eram por conta do cheiro de fezes das pombas, agora o motivo de insatisfação de comerciantes e moradores do entorno também é outro. Presença constante de usuários de drogas, tráfico, roubos, furtos e até casos de prostituição foram incorporados à lista. O aposentado Gilberto Palierini, de 68, engrossa o coro na cobrança por mais investimentos em segurança pública na região. "O Bosque está abandonado. Até passamos por perto de dia, mas de noite não dá. Se eu tivesse que mudar de casa em Londrina, esse seria o último lugar que procuraria", sustenta.
Administrador da Catedral de Londrina, Ari Mantella, de 59 anos, chegou a procurar recentemente a Secretaria Municipal de Defesa Social para pedir providências em relação ao clima de insegurança no local. O problema, avalia, atrapalha não só as atividades na igreja, mas também a hospedagem de turistas em hotéis nas proximidades. "Tem gerentes que me contaram que clientes se hospedam perto do Bosque, mas têm medo de passar perto da Catedral por conta desta situação. Isso não pode ficar assim. Nossa Catedral é visitada por pessoas do mundo todo, é a menina dos olhos da cidade", observa ele, ao enfatizar que não entende por que as autoridades não apresentam uma solução para o problema.
O secretário de Defesa Social, coronel Rubens Guimarães, responsável pela Guarda Municipal de Londrina, argumenta que o problema do Bosque não deve ficar a cargo somente da corporação. Por conta disso, deve articular uma reunião com membros da Polícia Militar e do Ministério Público para definir ações em conjunto. "Não somos só nós os responsáveis pelo problema", define. Apesar da cidade contar com 360 agentes da Guarda Municipal, ele afirma que colocar mais guardas no entorno não resolve, por si só, a situação. "A demanda que temos por agentes é muito grande. Mas ali precisamos de ação conjunta", reforça.
De acordo com o porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), capitão Ricardo Eguedis, o Bosque está dentro das áreas que recebem patrulhamento preventivo e ostensivo. "Pelo que me lembro, no último crime que teve ali prendemos a pessoa. Fazemos abordagens sempre", defende. Ele pondera, contudo, que os cidadãos são livres para ir e vir e que, diante disso, a polícia não pode retirá-los de dentro do Bosque. "Verificamos a situação criminal das pessoas, mas pedimos que as vítimas também não deixem de prestar queixa. Fica difícil de atuarmos se não tivermos notificações", comenta.

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