Bosque Central continua ponto de delitos
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Londrina é uma cidade que, segundo o discurso das autoridades, está bem policiada e não tem registrado aumento nos problemas com a (in)segurança. Pena que nenhuma destas autoridades tenha tempo de dar uma voltinha no Bosque Marechal Cândido Rondon, mais conhecido como Bosque Central. Localizado em ponto nobre da cidade, a poucos passos de um grande colégio, de centros comerciais, biblioteca pública, agência dos Correios e vários prédios residenciais, o local em nada lembra a imagem bucólica da Londrina que aparece nas campanhas publicitárias.
Quem quiser conhecer as espécies nativas que existiam por aqui à época da colonização e resolver passear pelas calçadas sombreadas da pequena mata existente no quarteirão delimitado pelas ruas Pará e Piauí, vai tomar um susto. Junto com exemplares de araribás, paineiras, pau d'alhos e perobas, o visitante vai se deparar com ameaças, gestos mal educados, olhares hostis e uma sensação muito, muito forte de que não é bem-vindo. Em pequenas mesas espalhadas no espaço ao lado da cancha, homens jogam cartas e convivem com vários tipos de delito: tráfico, roubos, atentados ao pudor. Para manter o local de lazer, preferem não comentar o assunto.
Próximos às mesas de jogos, adolescentes passam os dias consumindo drogas e transformam o espaço público em mocó. Na última segunda-feira, a reportagem da FOLHA flagrou colchões, cobertas e roupas espalhadas na entrada do banheiro, ao lado do playground deserto. A trave originalmente feita para jogos de bola virou varal para as roupas provavelmente lavadas em tanque improvisado. Uma adolescente se revoltou com o repórter fotográfico: ''Por que você está fotografando minhas coisas? Se eu aparecer aí vocês me pagam.''
No final da tarde, mais uma vez a reportagem ouviu ameaças ao entrar no Bosque. Em nenhum dos dois horários havia policiamento no local.
A cozinheira Lucineide de Araújo costuma parar no Bosque quando está 'fazendo hora' no Centro, mas se mantém em estado de alerta. ''Procuro ficar o mais próximo possível da rua e em locais de movimento, porque aqui não é seguro'', diz. O funcionário público aposentado Rubens Eugênio Pasquali também não relaxa enquanto descansa em um dos bancos. ''A qualquer sinal de perigo vou embora.'' O frequentador avalia como ''péssima'' a segurança do local (''e também de toda a cidade'') e conta que já presenciou mais de uma vez pessoas consumindo e vendendo drogas no local, além do comércio de objetos roubados. ''É a maior picaretagem. E pode ficar uma semana aqui que você não vai ver um policial.''
Há dois anos o Zerinho, que fica dentro do Bosque, foi revitalizado e ganhou iluminação, troca do calçamento e a construção de um módulo policial. Na época a Sercomtel investiu cerca de R$ 260 mil no local. O prefeito Nedson Micheleti afirmou, na cerimônia de reinauguração, que o principal problema do local - a falta de segurança - havia sido solucionado com a construção do módulo. Segundo representantes do 5º Batalhão de Polícia Militar, dois soldados fariam a ronda constante no parque. A empresa de telefonia, por sua vez, pretendia que o local fosse usado por escolas para atividades educativas, tanto que foram trocadas as placas de identificação das árvores. Nada disso se tornou realidade.


