'Borsalino' acompanhou o pioneiro Sahião até a morte
Walter Ogama
De Londrina
A menos de duas semanas de comemorar os 69 anos de idade, que iria completar no próximo dia 21, o pioneiro Michel Cury Sahião, que chegou em Londrina quando tinha apenas 15 anos, morreu e foi enterrado em Jaú (SP), conforme pedido que havia feito à família. Michel Sahião estava adoentado desde os últimos anos e teve a situação agravada a partir do início deste ano. Ele faleceu no último dia 8. A missa de 7º dia foi celebrada ontem, em Londrina.
O pioneiro nasceu em Jaú e adolescente resolveu trabalhar com o avô, Salim Sahão, que construiu em Londrina o Edifício Sahão, no centro da cidade, prédio que abriga um hotel. Por um erro no registro de nascimento, o nome de Michel está grafado como Sahião. Segundo a filha Sônia, o pioneiro gostava de manter a grafia errada, apesar do nome correto da família ser tradicional na cidade.
Michel também foi sócio-fundador da empresa Comércio e Indústria S.A., empresa do ramo de algodão, café e cereais que se encontra atualmente em liquidação judicial, segundo Sônia. Foi a primeira máquina de algodão de Londrina, lembra a filha. Além dela, o pioneiro deixou viúva dona Sônia, 70 anos, e os filhos Salim Sahão Neto (46 anos) e Michel Filho (36 anos), e duas netas do filho mais velho.
A história da Comércio e Indústria Sahão, segundo a filha, começou com a instalação da primeira máquina de café, em 1937, na Rua Paraíba, centro de Londrina. Em entrevista publicada no Jornal do Comércio, da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) há sete anos, Michel Sahião lembrava que na época a área onde a indústria foi construída era o limite para o fim da cidade: Daqui para baixo era tudo mato.
O pioneiro foi enterrado em Jaú com o seu tradicional chapéu italiano da marca Borsalino depositado no caixão. Presente da filha Sônia, seo Michel, quando ainda podia caminhar pelas ruas do centro de Londrina, era visto sempre com o Borsalino de cor mostarda. Era um chapéu que podia ser dobrado e guardado no bolso da calça. Ele o usava inclusive dentro de casa, diz Sônia, autora de dois livros: Salim Sahão, Meu Avô e A Vida do Pioneiro do Nipo-turismo Senhor Takehara Akagawa, este último em homenagem aos 50 anos de atividades do japonês no turismo brasileiro.
Sônia prepara um terceiro livro, que deverá ser lançado em outubro, com o título Alô, Alô Herdeiros!





