A Saúde Pública de Borrazópolis (60 km ao sul de Apucarana) determinou ontem o fechamento da creche municipal para tentar evitar a disseminação de hepatite do tipo A, que nos útimos dias já atingiu cinco das mais de 100 crianças atendidas no local. A medida foi adotada por recomendação do médico Tokio Kagawa. Em duas semanas ele detectou 25 casos de hepatite na cidade, que tem cerca de 8.500 habitantes.
Segundo Kagawa, praticamente todos os casos aconteceram em escolas municipais e na creche. ‘‘A contaminação acontece em ambientes de aglomeração de pessoas e pela manipulação de objetos, alimentos e água, sem os cuidados básicos de higiene’’, explicou.
Todos os casos, disse o médico, foram confirmados através de amostras de sangue remetidas ao Laboratório Central (Lacen), em Curitiba, depois de notificados à 16ª Regional de Saúde, em Apucarana. ‘‘A situação mais preocupante é a da creche, onde crianças acabam manipulando os mesmos brinquedos ou objetos durante o dia. Por isso, achamos que seria prudente paralisar as atividades por alguns dias’’, comentou o médico.
Com relação ao ambiente e equipamentos da creche municipal, o médico fez questão de esclarecer que esteve no local, juntamente com técnicos da Saúde Pública, ‘‘constatando que as condições de saneamento e higiene estão em perfeita ordem’’. Ele explicou que a hepatite do tipo A não representa risco de vida, mas é altamente contagiosa, através de vírus.
A chefe da seção de epidemiologia da 16ª Regional de Saúde, Lúcia Bonofiglio, informou ontem à Folha que não tinha conhecimento da notificação de 25 casos em Borrazópolis. ‘‘Se realmente ocorreu isso, houve falha de comunicação da saúde pública no município’’, disse.
De acordo com Lúcia Bonofiglio, nas últimas semanas estão sendo notificados vários casos de hepatite do tipo A, nos 16 municípios da área de abrangência da 16ª RS (Vale do Ivaí). ‘‘Por enquanto, não temos um quadro que se caracterize como epidemia, mas é preocupante’’, avaliou Lúcia. Ela explica que, ‘‘quando isso começa, é difícil detectar a localização do foco’’.
A partir de agora, conforme anunciou Lúcia, a Regional de Saúde irá mobilizar todo o seu pessoal em Borrazópolis e outras comunidades, visando transmitir a importância da educação sanitária. ‘‘O cuidado com a higiene, principalmente com água e alimentos, é o único meio de conter a dissiminação da doença’’, disse.

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