Borrachudos. Assim são denominadas as imperfeições causadas no asfalto pelo tráfego constante dos ônibus. Passeando pelas principais rotas de circulares de Londrina, é comum encontrar pelo menos um borrachudo a cada esquina, principalmente nas ruas que norteiam os terminais urbanos, como é o caso da Rua Benjamin Constant, na Região Central.
Na esquina da Benjamin com a Rua Quintino Bocaiúva, a massa asfáltica estourou a 20 metros de um ponto de ônibus, onde também há um buraco profundo. Os circulares param para pegar passageiros, passam sobre o buraco e em seguida enfrentam o borrachudo, que margeia a calçada até a altura do semáforo. A situação se repete em outros locais da via, até o cruzamento da Benjamin com a Avenida Duque de Caixas, onde o asfalto também está estourado em diversos pontos.
A buraqueira e as constantes paradas para passar pelos borrachudos - que são muito mais inconvenientes que qualquer quebra-molas, segundo os próprios motoristas - provocam desgastes nos carros. O taxista Leandro Kurunci, que roda as ruas de Londrina há 16 anos, faz o alinhamento e balanceamento do carro todo mês. Na semana passada, ele precisou trocar dois amortecedores.
''É bastante difícil trefegar no Centro, principalmente na Benjamin e na Duque, da BR-369 até a JK e até a Leste-Oeste. Na Rua São Francisco de Assis, apesar de serem apenas dois quarteirões, não tem condições de andar'', reclamou o taxista.
Conforme o gerente de projetos de obras de pavimentação da Secretaria de Obras de Londrina, Claudio Mucin, além da Benjamin e da Duque, as avenidas Arthur Thomas, Inglaterra, Leste-Oeste e Dez de Dezembro são as que mais apresentam imperfeições na massa asfáltica. Um projeto de recapeamento de mais de 50 quilômetros de vias, a ser custeado com verbas do Programa Paraná Urbano, do governo estadual, estava nos planos da Prefeitura, mas foi adiado com o advento das eleições municipais.
''A única via que teve o processo de licitação aprovado para o recape é a Avenida Arthur Thomas'', informou Mucin, assinalando que a secretaria tem atuado com medidas paliativas, como a operação tapa-buracos, ''que não resolve o borrachudo'', completou.
Segundo o gerente, quando o pavimento estoura, é preciso refazer a base para depois depositar uma capa de asfalto por cima da imperfeição. ''Faltam recursos e as máquinas estão no conserto'', declarou Mucin.
Conforme ele, antes de modificar rotas de ônibus, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deve consultar a Secretaria de Obras para saber se o asfalto de determinada rua suporta o tráfego intenso dos circulares. ''É possível reforçar o pavimento em alguns casos, mas normalmente é necessário refazer o asfalto para que ele suporte o movimento'', explicou o gerente, lembrando que a Secretaria orienta a CMTU de que algumas ruas não podem ser utilizadas como rota de ônibus.
Segundo Mucin, os ônibus são não causam tantos problemas ao asfalto. ''O asfalto é projetado para aguentar, mas tem um desgaste natural. A vida útil da pavimentação é de 15 anos, mas se a manutenção preventiva for feita aos 12 anos, o pavimento ganha uma sobrevida de mais 15 anos. O problema ainda é a falta de recursos para investir na prevenção'', confessou o gerente.

mockup