Borrachudos castigam bairros há 8 anos
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
Moradores de três bairros de Cornélio Procópio e de propriedades rurais localizadas nas proximidades do Ribeirão São Luiz vêm sofrendo, há pelo menos oito anos, com uma infestação de borrachudos. O prefeito José Antonio Otoni da Fonseca (PMDB) admite que o problema existe E que está tentando encontrar uma solução. Os moradores alegam que a situação inadequada de preservação do ribeirão seria a principal responsável pela incidência dos mosquitos.
Fonseca disse que a prefeitura vem aplicando bioinseticida a cada 15 dias para controlar os focos de mosquito. Ele afirmou que a prefeitura, em parceria com diversos órgãos, está iniciando um trabalho mais eficaz para resolver em definitivo o problema. Sabemos que a solução não será obtida a curto prazo, mas vamos deixar de lado as medidas paliativas que sempre foram feitas e partir para uma ação definitiva, disse.
Segundo o prefeito, a solução seria a limpeza e reflorestamento das margens dos ribeirões que passam pelo município. A prefeitura vai fazer o trabalho na área urbana e na zona rural precisamos da colaboração dos agricultores. É preciso que todos se conscientizem sobre o problema e nos auxiliem.
Além dos moradores, órgãos como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sanepar e Vigilância Sanitária são parceiros da prefeitura no projeto de recuperação dos ribeirões. Recentemente, um biólogo da UEL, contratado pela prefeitura, realizou um estudo sobre as causas do aparecimento dos focos de borrachudos na bacia do ribeirão (leia texto ao lado).
Os bairros mais atingidos são o Pérola, Vitória-Régia e São Francisco, mas os agricultores das fazendas próximas ao Ribeirão São Luiz, nas margens da BR-369, também reclamam do ataque dos mosquitos. Alguns pensam até em se mudar do local. Muitas crianças alérgicas a insetos apresentam feridas pelo corpo por causa das picadas dos borrachudos.
A agricultora Maria Aparecida Carvalho, 38 anos, que mora na Fazenda São João, disse que os mosquitos não dão sossego e que as crianças são as principais vítimas. Tanto faz chover ou não que eles estão sempre aqui. As crianças coçam as picadas até se transformarem em feridas. Para ela, os borrachudos aparecem por causa da água suja do Ribeirão São Luiz.
A dona de casa Eloisa Trindade Azanha, 38 anos, que mora no bairro Vitória Régia, a 20 metros do ribeirão, acusa a Companhia Iguaçu de Café Solúvel de jogar resíduos industriais no ribeirão e provocar o aparecimento de focos do mosquito. Já foi comprovada que a Iguaçu joga borra de café no ribeirão. Qualquer pessoa pode ver os resíduos boiando na água.
Eloisa disse que participou de várias reuniões na prefeitura na tentativa de encontrar uma saída para o problema. Só que nunca resolvem nosso problema, reclamou.
O diretor administrativo adjunto da Iguaçu, José Irivelto Gôngora, disse que a indústria tem um tratamento eficiente de efluentes. A água depois de utilizada no processo industrial vai para uma unidade de tratamento e só depois é lançada no ribeirão, garantiu.
Ele afirmou que a água é devolvida ao ribeirão sem resíduos sólidos e com a quantidade de oxigênio adequada. Tomamos todas as precauções para evitar a poluição no ribeirão e por isso não podemos ser responsabilizados por essa infestação de mosquitos.Três comunidades urbanas e moradores de propriedades rurais próximas ao Ribeirão São Luiz travam batalha contra mosquitos
Fotos Carlos AlmeidaPOLUÍDOO Ribeirão São Luiz, em Cornélio Procópio, que segundo moradores é responsável pela infestação de borrachudosA dona de casa Eloisa Trindade Azanha, na margem do ribeirão





