Borra de café no combate a dengue
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Pesquisadoras da Unesp de São José do Rio Preto (interior paulista) descobriram que a cafeína mata as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A alternativa pode ser viável no combate à doença em Londrina, que este ano já registrou 15 casos. ''Identificamos que a borra de café, colocada onde há acúmulo de água, previne a proliferação da doença, porque mata a larva do mosquito transmissor'', afirmou a professora Hermione Bicudo. Ela é uma das responsáveis pelo trabalho científico, junto com a bióloga Alessandra Laranja.
Segundo explica Hermione, basta colocar uma medida de quatro colheres de borra de café para cada copo d'agua para fazer um inseticida capaz de acabar com 100% das larvas do mosquito transmissor. No entanto, o produto tem uma desvantagem: a validade é curta.''É importante é colocar mais café a cada semana. O efeito dessa cafeína dura por sete dias'', ressalta a pesquisadora.
Para Hermione, a medida é válida por ser ecológica, barata e de fácil acesso à população. Ela ainda destaca que o próximo passo da pesquisa é descobrir se a cafeína pode matar o mosquito adulto do Aedes aegypti também.
Para o coordenador de endemias da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Luiz Alfredo Gonçalves, o trabalho das pesquisadoras pode contribuir no combate à doença, mas não é suficiente. ''Como tem que colocar mais café a cada semana, as pessoas vão esquecer e então volta tudo ao normal. De repente é melhor colocar a areia no prato mesmo, porque não precisa ficar trocando toda semana''. Ele assegura que no município a maior dificuldade em relação à prevenção da doença é a participação efetiva da população.
O coordenador do curso de Ciências Biológicas da Unifil e pesquisador em controle de insetos vetores de doenças, João Antônio Zequi, acredita que a população precisa lançar mão de todas as alternativas para combater a reprodução do mosquito Aedes, mas a solução não é definitiva. ''Acho válida a pesquisa, até porque é ecológico. Entretanto, ainda assim, é uma medida paliativa''.
Zequi defende que a única alternativa eficaz em todos os casos de combate à dengue é o uso de bioinseticidas. ''Não agride o ambiente como os inseticidas químicos e é 100% garantido''. O senão é que o produto ainda é produzido de forma artesanal e não está disponível no mercado. ''Na UEL eles produzem e estão tentando fazer isto em escala industrial, mas ainda não houve apoio suficiente''.


