Em duas cartas enviadas ao juiz-corregedor da Vara de Execuções de Londrina, Roberto do Valle, o assaltante Marcelo Moacir Borelli, 38 anos, solicitou a própria transferência para o Presídio Federal de Catanduvas, no Oeste do Estado, onde está preso um dos maiores desafetos dele, o traficante carioca Fernandinho Beira-Mar. Ontem, o juiz revelou que encaminhou o pedido de transferência para a Secretaria de Estado de Justiça. No entanto, a mãe de Borelli disse que ele mudou de idéia e quer continuar na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), onde cumpre pena de quase 60 anos na enfermaria por estar com a saúde debilitada.
Nas cartas enviadas ao juiz da VEP, Borelli o chama de ''arrogante e prepotente fora da lei'', diz que está se locomovendo por meio de cadeira de rodas e afirma que quer ser transferido para o presídio federal de Catanduvas. Mesmo sendo contrário a tal transferência, porque o preso ficaria por lá apenas durante um ano (período máximo que um detento pode ficar nesta unidade de segurança máxima), o juiz encaminhou o pedido para a Secretária de Estado de Justiça, que argumentou que não dá esclarecimentos sobre esse assunto.
Além desse encaminhamento, Valle requisitou que a direção da PEL instaurasse um procedimento disciplinar pela maneira desrespeitosa como Borelli se referiu a ele. ''Não aceito isso porque tudo aquilo que é necessário fazer para melhorar a saúde do preso, temos feito'', garantiu o juiz. Esse será mais um dos inúmeros procedimentos disciplinares a que o assaltante responde desde que ingressou no sistema penitenciária em outubro de 2000, quando foi preso na Região Metropolitana de Curitiba, com um caminhão carregado com armas e munições.
Tanto na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), onde permaneceu entre setembro de 2002 até novembro de 2005, quanto na PEL, por onde passou entre setembro de 2001 e setembro de 2002 e retornou no final do ano passado, Borelli fez diversas greves de fome, se recusou a tomar medicamentos contra o vírus HIV (ele é soropositivo), desrespeitou regras de disciplina e agrediu agentes. Borelli teria sido contaminado quando esteve preso num presídio em Campo Grande (MS), durante uma rebelião registrada em meados de 2001.
O criminoso ficou conhecido em todo o País como assaltante de aviões - teria roubado 61 kg de ouro de um avião em Brasília ®MDBO¯®MDNM¯em julho de 2000 e um mês depois sequestrou outro em Foz do Iguaçu, do qual roubou malotes bancários com cerca de R$ 5,5 milhões. Outro crime cometido por ele que chocou os brasileiros foi a tortura cometida contra uma menina de apenas três anos e que foi gravado em vídeo, tornado público em outubro de 2000, logo após ele ser preso. Por esse último crime ele chegou a ser condenado a 172 anos de prisão mas recorreu e conseguiu reduzir a pena para 22 anos.
A Folha procurou o advogado de Borelli, Mauro Viotto, mas ele não retornou a solicitação de entrevista.

mockup