Borelli está na PEL com saúde debilitada
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Trazido sigilosamente para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) no final do ano passado, o nome de Marcelo Moacir Borelli veio à tona novamente no início desta semana após o secretário de Estado de Justiça, Jair Braga, afirmar que teria pedido a transferência dele para o Presídio Federal de Catanduvas, na região de Cascavel. Isso faria de Borelli o primeiro preso paranaense a ocupar uma das 208 vagas existentes na unidade de segurança máxima que até o momento conta apenas com um ocupante: o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Ao contrário do que afirmou Braga, a 1 Vara Criminal Federal de Curitiba informou ontem que não analisava nenhum pedido de transferência de Borelli para Catanduvas. O coordenador-assistente do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen-PR), Cezinaldo Paredes, também afirmou que não havia recebido qualquer solicitação para remover Borelli da PEL. O presídio federal foi inaugurado em julho deste ano e conta com um rígido sistema de segurança, já que foi construído para abrigar os presos mais perigosos do país.
Segundo o assistente-jurídico da PEL, Francisco Carlos Melatti, Borelli tem acumuladas três condenações. Somadas, sua pena chegaria a 38 anos e nove meses de prisão, sendo que ele já cumpriu cinco anos e nove meses. Em São José dos Pinhais, foi condenado pelo crime de tortura cometido contra uma menina de três anos, filha de um integrante de sua quadrilha, a uma pena de 22 anos anos. Em Curitiba, pela Vara Federal Criminal, acumulou mais 14 anos e dois meses de detenção pelos crimes de porte ilegal de arma e contrabando. A Justiça de Londrina o condenou a mais dois anos e seis meses pelo crime de apropriação indébita. Ele ainda teria processos criminais pendentes em Londrina, Cambé, Cornélio Procópio, Ibaiti e São José dos Pinhais, e em Mirandópolis e Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Entre seus crimes, há a suspeita de que teria realizado o sequestro de um avião da Vasp, em 2000, em Porecatu (Norte).
Borelli havia sido transferido da PEL para a Penitenciária Estadual de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) em setembro de 2005, por causa das suspeitas que haveria um plano para resgatá-lo. Seu retorno para Londrina ocorreu em novembro do ano passado, mas só agora foi divulgado. Desde que foi agredido por outros presos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em setembro de 2001, Borelli passou a apresentar problemas de saúde, que teriam se agravado nos últimos anos. Na PEL, segundo Melatti, ele permanece preso na enfermaria por ser soropotivo e estar bastante debilitado porque, inicialmente, teria se recusado a tomar a medicação prescrita e a seguir a dieta alimentar feita pela equipe médica.
Um de seus advogados, André Luiz Salvador, argumentou que a transferência de Borelli para o presídio federal de Catanduvas seria ''totalmente inviável''. ''Ele está com a saúde muito abalada, tanto pelas agressões que sofreu nas prisões quanto por ser portador do vírus HIV. Se for (para Catanduvas), vai ocupar vaga de preso que necessitaria muito mais ir para lá'', comentou Salvador. O outro advogado que representa Borelli, Mauro Viotto, foi procurado pela reportagem mas está viajando e só retorna para Londrina na próxima semana.


