Borelli altera rotina da segurança em Londrina
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Telma ElorzaDe Londrina 
Um forte esquema de segurança foi montado ontem pela manhã para o translado do assaltante Marcelo Borelli da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) onde passou a noite para o aeroporto de Londrina. Cerca de 20 policiais federais e militares e seis viaturas cuidaram da segurança da operação. O avião com Borelli levantou vôo por volta das 10 horas. O destino era Brasília. Borelli esteve na cidade participando da tomada de depoimento, na 4ª Vara Criminal, de testemunhas de acusação sobre o assalto da empresa Proforte, ocorrido em setembro de 99.
Segundo informações de uma pessoa que trabalha na PEL e que pediu para não ser identificada, toda a rotina da penitenciária foi alterada para alojar o assaltante por uma noite. Consultas médicas e odontológicas, além de visitas de advogados foram suspensas enquanto Borelli esteve nas dependências da PEL. Todos os presos ficaram isolados em suas alas, afirmou. Segundo o funcionário, foi uma medida de segurança extrema para evitar que os presos se vingassem do assaltante. Depois que divulgaram, em rede nacional, aquela fita em que ele aparece torturando uma criança, a vida dele não vale nada em presídio nenhum. Presos tem um código muito forte a respeito de mulheres e crianças, afirmou.
De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, João Luiz Prado, depois que saiu do Fórum, Borelli foi encaminhado à delegacia federal onde, por cerca de três horas, prestou depoimento sobre o assalto-sequestro ao vôo 280 da Vasp, em agosto do ano passado, do qual é suspeito. Mas ele não trouxe nada de novo. Disse que não sabe de nada e que não participou, afirmou o delegado.
Segundo o delegado, todo o aparato montado para a vinda de Borelli foi necessária. A quadrilha dele é muito grande e tem muito dinheiro. Quando prendemos o Palermo (Gerson Palermo, piloto condenado pelo assalto-sequestro ao avião da Vasp), ele tinha em seu poder R$ 60 mil em dinheiro. O Borelli tinha R$ 100 mil quando foi preso. Os caras tem dinheiro e são organizados. Então é bom previnir, afirmou.
A juíza-substituta Fabiana Silveira Karan, da 4ª Vara Criminal, que ouviu os depoimentos acompanhados por Borelli, e o promotor Sérgio Siqueira não quiseram fazer declarações. O processo agora corre em segredo de Justiça. Só o acusado ou seu procurador legal é quem pode falar sobre o assunto.
A polícia de Curitiba investiga o envolvimento de um integrante da quadrilha de Borelli no assalto à Proforte no última 18.


