Paciência. Essa foi a palavra repetida por todos os bonsaístas entrevistados pela reportagem da FOLHA no XI Encontro Nacional de Bonsai, realizado em Mandaguari (Norte) no último fim de semana. O organizador do evento, Vicente Romagnole, possui uma das maiores coleções de bonsais do Brasil. São cerca de 1,5 mil árvores em miniatura. Para cuidar de todas, ele conta com a ajuda de um assistente, mas garante que em algumas plantas só ele mexe.
O semblante tranquilo do empresário que se transformou em bonsaísta não deixa transparecer o motivo de ter iniciado a coleção. ''Foi uma questão de saúde. Meu médico me disse para procurar uma terapia para reduzir o estresse. Acabei encontrando os bonsais'', lembrou. Ele, que começou com apenas uma árvore, não imaginava que um dia teria uma coleção tão vasta. ''O que me encanta nesta arte é que os bonsais abrem muitas possibilidades e permitem que você 'desenhe' a planta com o passar dos anos'', explicou.
Em algumas árvores é possível observar arames enrolados, que dão forma aos galhos. Todas as podas são calculadas e o desenvolvimento das árvores é acompanhado paciente e diariamente pelos apaixonados pela prática. Romagnole afirma que a sua planta mais antiga tem 137 anos e foi importada da China. ''Está comigo desde o início do meu hobby, há 30 anos. É uma árvore que foi cultivada por duas famílias chinesas antes de chegar a mim. É o trabalho de várias gerações'', disse.
Romagnole afirma que encontrou a 'fonte da juventude'. ''Depois que comecei com os bonsais, me tornei uma pessoa mais animada e tranquila. Além de que esta é uma atividade que nos permite fazer muitos amigos'', completou.
Um desses amigos é o japonês Massaro Tokishima, que todos os dias dedica algumas horas para cuidar de suas plantas. Ele mora em Londrina, veio para o Brasil aos dois anos e começou o cultivo desse tipo de árvore aos 18 anos. Quando questionado pela reportagem sobre a sua idade, respondeu com bom humor: ''Falta pouco para chegar aos cem anos, né? Só faltam nove anos''. O bonsaísta não soube dizer quantas plantas passaram pela sua mão, mas contou um segredo da arte milenar. ''É preciso paciência. Com um ou dois anos não dá para aprender a prática. Leva quase a vida inteira para aprender e não tem fim'' ensinou.
Apesar da origem oriental, os bonsais conquistaram pessoas no mundo todo. A argentina Marita Gurruchaga é mestre bonsaísta e veio à Mandaguari para dividir experiências com os participantes do encontro. Uma de suas paixões é criar florestas em miniatura. Ela cultiva bonsais há 30 anos e disse que o desenvolvimento de uma floresta exige tempo e possui muitos detalhes. ''É uma ilusão de ótica. Um espaço da natureza em miniatura. Tudo é pensado, passando pelo tamanho das árvores até o plantio de cada uma no vaso'', descreveu. Para ela, a arte dos bonsais é um forma de acompanhar a passagem do tempo. ''É um calendário vivo. Pelas plantas observamos a passagem das estações'', concluiu.

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