Bonfim deixa prisão
e já procura emprego
Advogado tem de cumprir exigências da liberdade condicional
Benê Bianchi
O advogado Adir Nestor Bonfim deixou ontem a cela especial do 5º Batalhão de Polícia Militar de Londrina, após cumprir três anos e 11 meses da pena total de nove anos e dois meses a que foi condenado pelo assassinato e ocultação do cadáver de Luiz Gançalves Barbosa, filho do então advogado Rui Aprígio (já morto). O crime ocorreu em 14 de maio de 1994, na casa em que os dois moravam, localizada no Vale do Reno (zona sul).
Após o crime, Adir, acompanhado do irmão José Beno Bonfim, colocou fogo no cadáver, numa estrada secundária de Faxinal. O corpo foi encontrado alguns dias depois. O advogado se apresentou à polícia dia 1º de junho daquele ano e alegou ter matado para se defender. Segundo Adir, Luiz Gonçalves queria ter relações sexuais com ele.
O advogado foi submetido a dois julgamentos. No primeiro, foi condenado a sete anos, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça. O segundo julgamento ocorreu em maio de 95. Novamente ele foi condenado e desta vez a pena foi de 13 anos, reduzida, pelo TJ, a nove anos e dois meses. O irmão de Adir, José Beno Bonfim, foi julgado por ocultação de cadáver e absolvido.
Adir Bonfim deixou a sede do 5º BPM no final da tarde de ontem, acompanhado de seu advogado Marcelo Leal, após se despedir de todos os policiais que estavam no local. ‘‘Foram anos de convivência. Acabei fazendo muita amizade aqui.’’
Ele conta que o momento de maior emoção ocorreu na tarde de terça-feira, quando recebeu a notícia de que seria libertado no dia seguinte. ‘‘A liberdade é uma coisa que a gente só dá valor quando perde. É como se acabasse o mundo. Preso, me considerava semi-morto.’’
Daqui a 24 dias, Adir completaria quatro anos de prisão. Segundo ele, foram anos muito difíceis. ‘‘Os piores foram os quatro meses que passei na Penitenciária do Ahú, em Curitiba. Em maio, meu advogado conseguiu prisão especial e vim para Londrina. Tudo aconteceu em maio: o crime, o último julgamento e minha liberdade.’’
Para Adir, as sequelas do que ocorreu vão ficar para sempre. ‘‘O que aconteceu, esse pesadelo todo, vai viver comigo para sempre. Vou fazer de tudo para voltar a ter uma vida normal. Eu era um cidadão comum, tinha minha profissão, meu escritório e de uma semana para outra virei assassino. É uma situação difícil.’’
Marcelo Leal comenta que Adir cometeu um crime eventual, ao qual toda pessoa está sujeita. ‘‘É diferente do criminoso habitual. Adir cometeu um crime e pagou o que tinha para pagar.’’
Adir Bonfim está em liberdade condicional e deve cumprir algumas normas. Ele tem que arrumar um emprego no prazo de 30 dias, deve se apresentar mensalmente perante o juízo, não pode se ausentar por mais de oito dias da comarca de Londrina sem autorização judicial, tem que se recolher até 21 horas, diariamente, não pode ingerir bebida alcoólica e nem frequentar bordéis.
Ontem, ao sair do Batalhão, Adir ia dar uma volta pela Cidade com Marcelo Leal. ‘‘Amanhã é outra história, não sei ainda que vou fazer. Só sei que tenho que arrumar um emprego rápido.’’

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