O Hospital Universitário de Maringá adquiriu dois bonecos importados da China que vão auxiliar na recuperação de crianças e adolescentes internados na ala pediátrica. Feitos de tecido, os bonecos reproduzem com precisão o corpo humano. Abrindo cada parte do corpo é possível encontrar formas imitando o coração, rins, fígado, costela e até uma apêndice.
De acordo com a psicóloga Jane Biscaia Hartmann, os bonecos permitem que os profissionais expliquem de uma forma mais concreta para a criança o que está acontecendo com ela. Jane afirma que muitas vezes a criança não entende o porquê de estar internada no hospital.
Usando os bonecos, os profissionais de uma equipe muldisciplinar que já atuam na recuperação de crianças doentes, conseguem mostrar onde está o problema vivido pela criança e o que os médicos estão fazendo para curar a doença.
‘‘O fabricante é perfeccionista porque os bonecos têm detalhes impressionantes. Por dentro, onde corre sangue, o tecido é vermelho. O material não é tóxico e é de fácil manuseio’’, diz Jane. Os bonecos são de sexo diferente. Além da genitália, o fabricante teve o cuidado de mostrar as diferenças dos demais órgãos do corpo da mulher e do homem.
Segundo a psicóloga, os bonecos também contribuem para minorar o trauma com os procedimentos médicos realizados dentro do hospital. ‘‘Se uma criança vai ser operada de apendicite, procuramos mostrar para ela o que será feito utilizando os bonecos. Assim ela vai mais tranquila para a cirurgia porque ela experimentou aquela situação numa simulação’’, diz Jane. Cada boneco tem os órgãos destacáveis para as simulações.
A face, por exemplo, também pode ser substituída. ‘‘Se a criança estiver chorando a gente usa a face que chora e depois substitui pela face normal. A criança se idenfica com o boneco’’, explica Jane. A compra dos bonecos surgiu a partir da publicação de uma matéria em uma revista americana que revelou a importância dos bonecos no tratamento de crianças com Aids.
‘‘Insistimos na compra porque achamos que os bonecos podem ser úteis no período pré-cirúrgico’’. Cada boneco custou R$ 700,00. O hospital lançou uma campanha para a escolha dos nomes dos bonecos. Crianças internas, funcionários e visitantes podem opinar e colocar a sugestão do nome em um mural. Os nomes escolhidos serão os mais indicados pelos participantes da campanha. Se não houver consenso, será feito um sorteio.

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