Bonecas de pano ressurgem nas mãos de mulheres
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 2008
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Antes mesmo dela aparecer como a personagem Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, a boneca de pano já fazia parte do imaginário infantil. Há várias gerações foram elas que rechearam a fantasia de muitas crianças e enfeitaram quartos e estantes.
Hoje, com tantas invenções eletrônicas, as bonecas de pano estão perdendo espaço, mas se depender da pequena Sarah elas ainda farão parte de muitas histórias. Depois de ver a boneca Emília estampada em uma vitrine, Sarah, quatro anos, quis uma igualzinha. ''Eu não tinha noção de como fazer uma boneca, até que meu marido me inscreveu na oficina de boneca de pano da Vila Cultural. Confesso que estou na expectativa para ver o rostinho da minha primeira bonequinha'', conta a mãe, Ana Cláudia de Oliveira, tão animada quanto a filha.
Com o aprendizado, Ana diz que pretende confeccionar diferentes ''personagens'' a partir da imaginação da pequena Sarah. ''Utilizando apenas retalhos de pano, linhas, agulha e tesoura é possível criar qualquer tipo de boneca, mas o mais importante é a criatividade'', explica a artesã Tereza Aparecida Testani, professora da oficina, promovida na última semana em Londrina.
Tereza, como muitas crianças, conta que não teve bonecas para brincar na infância. ''Quando podia, minha avó fazia algumas de papelão para mim'', lembra ela, que há 20 anos resolveu fazer um curso em São Paulo, cidade onde nasceu. ''Nesta época, já não se encontravam bonecas de pano para comprar, pois ninguém mais fazia'', afirma a artesã, que durante muito tempo, vendeu suas bonecas na Praça da República. ''Era muito bom, pois eu vendia uma média de 300 bonecas por semana'', conta. Formada em Psicologia, mas desempregada, Tereza diz que as bonecas ainda continuam sendo sua fonte de renda. Cada uma custa em média de R$ 20 a R$ 30, dependendo do tamanho.
Para dar ''vida'' a tantos personagens, ela conta que fecha os olhos e imagina a cor dos olhos, o formato do rosto, a roupinha e até o nome. ''Dou nome a todas as bonecas que faço. Umas das minhas preferidas é a Rose'', diz.
Entre as participantes da oficina, Alessandra Fernandes foi uma das alunas que mais se empenhou para aprender a técnica. Com ''sua'' bailarina quase pronta, ela conta que resolveu participar da oficina para poder fazer bonecos para o filho e para ela mesma. ''Sempre gostei de bonecas, pois tive muitas na minha infância e agora, quero que meu filho não pense que brincadeira se resume só à videogame'', revela.
Quem quiser matar a saudade das bonecas de pano ou comprar uma, Tereza fica todos os domingos, na Feira do Feito à Mão, no Calçadão, a partir das 11 horas.
Serviço:
Para saber mais sobre a programação e os eventos promovidos pela Vila Cultural Brasil, que fica na rua Uruguai, 1656, acesse o site: www.vilaculturalbrasil.blogspot.com.br ou ligue: 3324-8056


