Bonde elétrico substituiu
frota de ônibus na França
Na França, as experiências mostram que a preservação do meio ambiente tem grande peso nas escolhas. Segundo Alain Meneteau, especialista de Strasbourg, em 1989 a cidade decidiu implantar o tramway. ‘‘Este transporte era uma ferramenta central de uma política para melhorar o meio ambiente e a qualidade de vida’’, disse, lembrando que este tipo de bonde elétrico conseguiu substituir grande parte da frota de ônibus. Mesmo assim, hoje, 50% dos 450 mil habitantes de Strasbourg continuam usando carros particulares, enquanto apenas 9% fazem uso do transporte coletivo.
Bordeaux, segundo Jean Baptiste Rigaudy, tem uma situação especial, pois é uma das últimas cidades da França que não tem um sistema de transporte coletivo além do ônibus. Com 700 mil habitantes, à beira do mar e com espaço suficiente que permite à maioria da população morar em casas, só recentemente pensou-se num novo transporte. Depois de estudar várias alternativas, optou-se por um sistema de três linhas de tramway, num total de 44 quilômetros, aliado a uma série de readequações arquitetônicas e urbanísticas, inclusive com a construção de novos bairros. ‘‘Vamos refazer a totalidade dos espaços públicos por onde vai passar o tramway’’, diz. No total, a obra custará R$ 2 bilhões.
Na maior das três cidades francesas apresentadas, Lille, com 1 milhão de habitantes, optou-se por um sistema misto, que envolve duas linhas de metrô, duas de tramway e ônibus mobidos a gás natural. ‘‘Redistribuímos todo o espaço público, aumentamdo a largura das calçadas e as paradas de ônibus viraram lugar de jogo (bocha). São opções que não poluem, diminuem o barulho e aumentam a qualidade de vida’’, ressalta Bernard Kanaff, ex-inspetor geral da cidade. (M.G.)

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