Bombeiros voluntários ajudam distrito
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O trabalho de um grupo de voluntários na Zona Sul de Londrina vem provocando polêmica. Eles se autodenominam bombeiros e ajudam uma população extremamente carente, mas não são reconhecidos pela prefeitura e nem pelo comando local dos bombeiros, que encaminhou o caso para a polícia e Promotoria Pública.
A dona-de-casa Zenaide Oliveira dos Santos, 56 anos, moradora do distrito de Lerroville (Zona Sul), passou por momentos de tensão no início do mês. Uma grave crise de sangramento pelo nariz e boca, pouco antes da meia-noite, deixou a família em desespero. Como a Unidade Básica de Sa© úde do distrito fecha às 17 horas, ela ficou sem alternativa para obter socorro.
O auxílio veio dos bombeiros civis, que enfrentaram dificuldades para ter acesso ao barraco de Zenaide por causa da escuridão. Os barracos, que ficam num local conhecido como Buracão, são extremamente precários. As moradias são repletas de buracos e cobertas apenas com lona.
Os bombeiros voluntários acionaram a ambulância do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu).
O maior problema dos moradores é a falta de estrutura para o atendimento público de saúde. Como a unidade básica de sa© úde do distrito funciona apenas das 7 às 17 horas e fecha nos fins de semana e feriados, os moradores contem apenas com o auxílio de uma ambulância para as emergências.
Os integrantes da ONG Grupo de Resgate - Bombeiro Civil tentam preencher essa lacuna. Mas também trabalham na prevenção de acidentes. É o que explica o coordenador-geral do grupo, Daniel Martins.
''Fazemos um trabalho preventivo. Orientamos as pessoas sobre como manejar um botijão de gás, por exemplo. Mas há muitas áreas de risco. A maioria dos barracos e casas são de madeira e existe sempre a ameaça de incêndio'', avalia.
A análise do voluntário é confirmada por Zenaide. Ela comentou que uma vela acesa é a única forma de clarear o ambiente, onde mora com três filhos, durante as noites. ''A gente põe vela quando tem dinheiro para comprar. Senão, fica no escuro mesmo. Sei que é perigoso, mas não tem outro jeito'', lamenta.
Foi também à noite que a trabalhadora rural aposentada Antonia Macegosa da Rocha, 60, teve um forte ataque de dores na coluna, que a impediam de caminhar. O encaminhamento para atendimento médico foi feito de táxi, acionado com apoio do grupo de bombeiros civis. ''Não pode tirar os bombeiros daqui. Tem é que ajudá-los mais'', cobra a aposentada.
Valorizado pela população do distrito, o trabalho dos bombeiros, no entanto, não é reconhecido oficialmente pelo Corpo de Bombeiros de Londrina. O coronel Aloísio Costacurta Vieira, comandante da corporação, ressaltou que o grupo não é formado por membros da Corporação ou do projeto de bombeiros comunitários. Disse ainda que o caso foi ancaminhado para a Polícia Civil e a Promotoria Pública. ''Não somos contra o trabalho voluntário. Nossa preocupação é a utilização do nome do Corpo de Bombeiros junto à população'', advertiu Costacurta.
A Prefeitura de Londrina também não reconhece oficialmente o grupo. A assessoria de imprensa informou que a prefeitura apóia apenas a corporação oficial através do repasse do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom).
Martins afirmou que o grupo recebeu treinamento de uma escola que funcionou em Londrina, mas foi desativada antes da entrega dos certificados para a última turma. Disse ainda que a atuação dos voluntários está resguardada pela Constituição Federal. Segundo o coordenador-geral, a ONG busca auxílio para manter o trabalho. Os interessados em ajudar podem entrar em contato pelo telefone 3398-2203.


