Bombeiros treinam socorro pré-hospitalar
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Bombeiro há 17 anos, o cabo Israel Justino passou por uma experiência tensa ontem: ele teve que manter o sangue frio para salvar uma vítima grave de acidente de trânsito. Apesar de estar participando de uma simulação, Israel ficou nervoso de verdade. O exercício fazia parte do primeiro dia do curso de capacitação para atendimento pré-hospitalar a vítimas de trauma e emergências que ele e outros 33 bombeiros de Londrina e região realizam durante a semana.
Com tanto tempo de corporação, Justino domina os procedimentos de primeiros socorros mas sabe que a reciclagem dos conhecimentos é essencial para a atividade que exerce. ''A gente ainda fica meio confuso e com a complicação do trauma da vítima é preciso manter o controle emocional para não se afetar psicologicamente''', comentou, após o treinamento.
Seu colega de profissão, o sargento Jorge Luiz Schmuker, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), lembra que o curso ajuda porque as ocorrências em cidades menores também são cada vez mais graves, como a maior quantidade de vítimas de ferimentos por armas de fogo, e o treinamento ajuda a realizar o procedimento mais adequado. ''São quatro meses de aulas e temos a possibilidade de aprender as mais diversas técnicas'', destaca.
Um dos coordenadores do curso, tenente Rodrigo Nakamura, afirma que o treinamento existe justamente para o bombeiro se atualizar com os novos procedimentos de salvamento e assim aumentar a capacidade de atender vítimas de acidentes graves. ''Hoje, o carro-chefe dos bombeiros é atendimento pré-hospitalar. Mais de 70% das ocorrências são traumas graves e o que se busca é que todos passem pelo curso'', aponta Nakamura.
De acordo com ele, dos 380 homens que compõem o efetivo do 3º Grupamento dos Bombeiros em Londrina e região, 108 já passaram pelo curso que capacita para atuação no Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate). No curso de 460 horas, os ''alunos'' têm aulas, dentre outros assuntos, de direção defensiva, cargas perigosas, anatomia, fisiologia e até de emergências clínicas. Eles também terão de cumprir 80 horas de estágio prático e visitas a hospitais.
A participação de bombeiros de cidades como Ibiporã, Cambé, Cornélio Procópio e Arapongas é importante, segundo ele, porque a intenção é implantar o atendimento do Siate nestas cidades. Além do curso, porém, é preciso que o Corpo de Bombeiros destas localidades fechem um convênio com hospitais, município e Estado para viabilizar o atendimento dos casos mais complexos.
Uma das professoras do treinamento, a enfermeira da secretaria municipal de Saúde Cleonice Midori Iida, explica que os participantes têm contato com a linguagem padrão usada em todo o mundo. ''O atendimento inicial à vitima é de extrema importância. Eles aprendem a obedecer uma sequência lógica, onde vão resolvendo passo a passo os problemas até conseguir estabilizar o traumatismo.''


