Bombeiros também são alvo de agressões
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terça-feira, 05 de maio de 2009
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há cerca de uma semana, após receber uma chamada para atender uma pessoa que havia sofrido uma queda, uma equipe do Siate de Londrina se deslocou para o Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina). No local, os socorristas se depararam com uma situação inusitada: dezenas de pessoas se agrediam com pedaços de pau e pedras e muitas delas eram jogadas em direção à viatura. Nem conseguimos descer da ambulância; tivemos que recuar, tamanho era o tumulto, lembra o soldado Josmar Ferreira.
Como se não bastasse uma rotina de situações difíceis e desgastantes, homens do Corpo de Bombeiros ainda enfrentam casos como este, em que podem se tornar alvo de agressão. Este tipo de situação é comum, segundo relato dos próprios bombeiros, e geralmente ocorre nas chamadas noturnas ou em bairros distantes. Para garantir a segurança dos profissionais, a polícia vai junto nas ocorrências (leia mais nesta página).
Há 12 anos no Corpo de Bombeiros, o soldado Marcelo Macedo já vivenciou várias situações. Ele lembra que uma vez parou a ambulância para pedir uma informação a um morador do Morro do Carrapato (Zona Leste) e teve o veículo atingido por uma garrafa de cerveja. Depois que jogaram a garrafa, um grupo de jovens em bicicletas começou a seguir a viatura. Tivemos que esperar a polícia chegar para conseguir atender a vítima, lembrou.
Os socorristas Rafael Ferla Martins, 22, e Edimar Augusto da Silva, 36, também já passaram por momentos difíceis. Silva lembrou que foi até a Avenida Higienópolis (Centro) atender dois motociclistas que haviam se acidentado. Um deles ameaçou os socorristas com uma faça depois de recusar atendimento. Pedi para o motociclista assinar um termo em que se responsabilizava por se negar a receber o atendimento; então ele foi até a moto dizendo que ia pegar os documentos, mas voltou com uma faca daquelas de açougueiro, bem grande. Tivemos que agarrá-lo à força e conseguimos tirar a faca dele, disse.
Outro socorrista, que preferiu não se identificar, lembrou de um caso bastante complicado. O rapaz havia sido baleado, estava caído no chão e eu sabia que já era código quatro (fatal), mas os amigos dele cercaram a viatura e nos obrigaram a atendê-lo dizendo que ele estava vivo. Tive que colocá-lo dentro da ambulância e sair, senão poderíamos ser agredidos. Infelizmente há situações como essas, em que corremos o risco de sermos as víti-mas, desabafou.


