Bombeiros sugerem interdição de residencial
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segunda-feira, 27 de maio de 2002
Ana Setti Reportagem Local 
Arapongas - O Corpo de Bombeiros de Arapongas está montando um plano de vigilância em área crítica para o Conjunto Residencial das Águias, a ser acionado cada vez que chover. Na semana passada, por causa da chuva forte, duas casas do residencial foram interditadas pelos Bombeiros e nove recomendações foram encaminhadas para a Secretaria de Obras da Prefeitura, pedindo verificação das condições de infra-estrutura dos imóveis.
O Residencial das Águias tem aproximadamente 360 casas financiadas pela Caixa Econômica Federal. Segundo o capitão Natan Bezerra, do Corpo de Bombeiros, sob o ponto de vista da segurança, o melhor seria interditar o local e mandar refazer a infra-estrutura, que não oferece condições para o escoamento da água. Ele disse também que, assim como os moradores do residencial, a corporação está aguardando um posicionamento da Caixa e da Prefeitura sobre a situação. Caso não tenhamos uma resposta em 15 dias ou até a primeira chuva, vamos encaminhar o processo para o Ministério Público, para as providências legais cabíveis.
Os moradores, afirma o capitão, também têm culpa por construir muita coisa na base do barranco, sem orientação técnica. Mas são pessoas humildes, comenta, e seria necessário, nesse caso, uma solução compartilhada.
De acordo com Antônio Valdir Bertramelli, Presidente da Associação de Moradores, existe um desnível de mais ou menos 7 metros de altura entre as ruas, em cerca de 90% do conjunto, obrigando os moradores a construirem muros para contenção dos barrancos, que correm o risco de desabar quando chove muito.
Segundo Valdir, a recomendação dos técnicos da Caixa é que os moradores contratem um engenheiro para fazer o projeto do muro. Mas o problema é a falta de dinheiro para isso, argumenta. Ele relata que muitos moradores, pelo risco que correm, pensam em sair das casas. Mas ir para onde?, pergunta.
O secretário de Obras da Prefeitura, Israel Piason, também defende uma solução compartilhada entre a Caixa, Prefeitura e Bombeiros. Talvez pudéssemos até mesmo organizar uma transferência de moradores, das casas sob maior risco, para outro conjunto residencial financiado pela Caixa, sugere.
Por enquanto, o gerente de mercado da Caixa, Carlos Roberto de Souza, garante que todos os titulares de financiamento, que estejam com as prestações em dia, podem ficar tranquilos, pois têm direito a um seguro por danos físicos ao imóvel. Souza informa que o seguro prevê a cobertura do reparo do dano e a indenização das prestações do financiamento, enquanto o morador estiver com seu imóvel sob interdição.


