Bombeiros simulam acidente para testar controle emocional
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quinta-feira, 27 de julho de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Desde o ínicio desta semana, os 240 bombeiros pertencentes ao subgrupamento de Londrina estão sendo submetidos a uma prova que testa, acima de tudo, o controle emocional de cada um. Todos inclusive os da área administrativa e socorristas estão fazendo treinamento com equipamentos de penetração em ambiente gasado (sem oxigênio), nas moegas (reservatórios subterrâneos para recepção e secagem de grãos) da Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop), localizada na zona oeste da cidade. A simulação é de um salvamento em situação de desabamento e vazamento de gás, considerada de risco extremo.
Segundo o tenente Wilson Oliveira Paulino, que está coordenando o treinamento junto com o tenente Pedro Wagner Ogaki Malacrida, o local foi escolhido pela profundidade e total falta de visibilidade. O túnel onde os policiais devem entrar para localizar a vítima (um boneco feito com pó-de-serra molhado, com peso semelhante ao de uma pessoa) e estancar o falso vazamento de gás tem cerca de 12 metros de profundidade por 20 metros de comprimento.
A respiração é feita por aparelho autônomo de respiração, abastecido com ar comprimido. Cada cilindro de ar tem autonomia de aproximadamente 30 minutos. A duração vai depender de como o bombeiro faz uso dele. Se estiver muito nervoso e ofegante, o oxigênio vai terminar mais rapidamente, explica o tenente Wilson.
Os bombeiros fazem o treinamento em duplas e descem no túnel com um cabo-guia nas mãos. Este cabo permite a comunicação com os monitores que ficam fora do túnel, através de códigos. Mesmo assim, segundo o tenente, a comunicação é uma das dificuldades encontradas pelos soldados, em função da máscara. Outras dificuldades são o peso dos equipamentos, estimado em mais de 15 quilos, a escuridão e o excesso de pó. Para simular a queda de detritos, um dos monitores joga permanentemente pedaços de sabugo no túnel.
Por mais que a gente tente simular uma catástrofe, fazendo barulho, gritando por socorro, colocando obstáculos no meio do caminho, nunca é como uma situação real, com todos os seus perigos, lembra o tenente Wilson, esclarecendo que os casos de desabamento não são tão comuns, mas estão entre os que oferem maior perigo. No caso de um prédio, por exemplo, a central de gás GLP continua alimentando os apartamentos, e o risco de explosão é muito grande. O tenente acaba de participar de um curso de capacitação de operações de busca e salvamento em Curitiba.
Para os soldados que participam do treinamento, o maior teste é o do controle emocional, já que não têm a mínima noção do que terão pela frente. A operação começou na segunda-feira e, ontem de manhã, os tenentes responsáveis pela simulação ainda não sabiam se conseguiriam finalizá-la até hoje, já que o trabalho depende da escala de trabalho dos policiais.


