Bombeiros são barrados por sem-terra
Maurício Borges
Enviado a Ivaiporã
Há dois dias, homens do Corpo de Bombeiros e trabalhadores rurais que atuam como voluntários, estão lutando contra o fogo que consome grande parte da Fazenda 7 Mil, na região de Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana). O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ocupa a fazenda desde de abril de 1997, é acusado de ser responsável pelo incêndio, sob o pretexto de limpar a área de pastagens para cultivo de lavouras.
O capitão José Triana Primo, comandante do Corpo de Bombeiros de Ivaiporã, estima que cerca de 2 mil alqueires de pastagens da fazenda já tenham sido consumidos no incêndio, que começou através de pequenos focos e alastrou-se em todas as direções da fazenda, que tem 5.800 alqueires, com áreas distribuídas nos municípios de Ivaiporã, Jardim Alegre e Godoy Moreira.
Nas áreas de pastagens da 7 Mil existem cerca de 4 mil cabeças de gado conforme levantamento obtido este ano durante a vacinação contra aftosa , e parte do rebanho estaria correndo risco. Os bombeiros disseram ontem que não viram nenhuma carcaça de animal.
Segundo Triana, o MST impediu anteontem a entrada de uma equipe de bombeiros na fazenda. Cerca de 10 sem-terra armados na porteira principal da fazenda não permitiram que os bombeiros entrassem com um caminhão de combate a incêndio, revelou o capitão Triana.
O comandante informou ainda que os integrantes do MST admitiram que eles estão mesmo fazendo queimadas para abrir novas áreas de plantio. Depois de alertados sobre as diversas frentes de fogo existentes na fazenda, e os riscos de atingir propriedades vizinhas, além de áreas de matas nativas, eles disseram que eles próprios iriam controlar o incêndio, revelou o capitão.
Diante da posição irredutível do MST, Triana anunciou ontem que irá continuar controlando o fogo fora das áreas de domínio da Fazenda 7 Mil. De acordo com ele, nas últimas 48 horas, vários vizinhos da fazenda pediram a ajuda dos bombeiros, temendo que o fogo atingisse casas e lavouras. Ontem, às 17h30, mais uma equipe de bombeiros deslocou-se para a região a pedido da Fazenda Leopoldo, onde o fogo, partindo da 7 Mil, avançava em direção a algumas casas.
Funcionários do proprietário da Fazenda 7 Mil, Flávio Pinho de Almeida, que estão monitorando o incêndio de fora da fazenda, estimaram ontem que o incêndio já tenha consumido cerca de 2,5 a 3 mil alqueires de pastagens.
A Folha também tentou ouvir o chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná, de Ivaiporã, Ari Bender, mas não conseguiu localizá-lo. Há cerca de 10 dias, Bender esteve vistoriando algumas áreas da 7 Mil para apurar denúncias de que as queimadas estariam atingindo matas nativas e ciliares. Na ocasião, constatou que uma área de cerca de 5 alqueires de pastagens havia sido queimada.





