Bombeiros resgatam corpo em rio
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sábado, 11 de janeiro de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
Um dia depois do temporal que provocou estragos e alagamentos em vários pontos da cidade, os curitibanos ainda contavam os prejuízos e tentavam recuperar o que a chuva atingiu. Pela manhã, o Corpo de Bombeiros resgatou o corpo de Geraldo de Jesus Carvalho, 20 anos, levado pelas águas do Rio Belém, na favela da Vila Esperança. Os outros três desaparecidos, incluindo duas crianças, não haviam sido encontrados até o final da tarde de ontem.
Da tarde de quinta-feira, quando começou a chuva, até a madrugada de ontem, os Bombeiros atenderam 200 chamadas e 40 ocorrências. Ontem de manhã, os Bombeiros ainda tiveram que recolher árvores que caíram sobre várias ruas da cidade.
A Copel também passou a manhã atendendo a chamados por causa da interrupção do fornecimento de energia. A chuva que caiu anteontem deu muito trabalho as 50 equipes de emergência da empresa, que trabalharam a noite inteira para restabelecer o fornecimento de energia elétrica para 219 mil consumidores - 30% da cidade ficou sem luz.
Os funcionários do Hospital das Clínicas passaram a tarde tentando tapar os buracos deixados no teto pelo vento e chuva. Além dos prédios das diretorias financeiras e organizacional, o vento destelhou também a sala de raio X, o setor de costura da maternidade e a farmácia, onde os prejuízos só não foram maiores porque no momento da chuva, os funcionários agiram rápido e conseguiram retirar os medicamentos.
Na região central de Curitiba, principalmente na confluência das ruas Vicente Machado e Visconde de Nácar, era grande a revolta dos comerciantes por causa do alagamento que atingiu muitas lojas.
Há dois anos o prefeito (Rafael Greca) esteve na minha loja e prometeu que nunca mais entraria água aqui depois das obras, queixava-se o gerente da Livraria Ave Maria, Jairo Duckesi. Ele disse que na época chegou a retirar uma proteção que mantinha para conter a entrada da água, confiando na promessa do ex-prefeito.
Durante a chuva de ontem, a água chegou a uma altura de 40 centímetros dentro da livraria, provocando um prejuízo que, segundo Duckesi, chega a R$ 150 mil. Vou me mudar daqui porque não aguento mais, afirmou, reclamando que paga R$ 13 mil de IPTU e perdeu 70% da clientela durante o período em que a Vicente Machado ficou fechada para as obras de canalização do Rio Ivo.


