O Corpo de Bombeiros de Campo Mourão está recebendo mais de mil trotes todos os meses. Segundo último relatório elaborado pela guarnição, somente em maio, dos 1.310 telefonemas que chegaram ao destacamento, 1.026 foram considerados como ‘‘ligações evasivas’’, contra apenas 284 telefonemas ‘‘úteis’’. A média é de 34 trotes por dia, mas há casos em que esse número chega a dobrar. Em 19 de maio, por exemplo, uma segunda-feira, os bombeiros receberam 69 trotes.
‘‘Foram praticamente três ligações evasivas por hora’’, ressalta o comandante do Corpo de Bombeiros de Campo Mourão, tenente Luiz Fernando Grummt. No mesmo dia, o destacamento recebeu apenas 11 telefonemas úteis. O relatório mostra que, mesmo em dias em que a cidade estava calma, como no dia 17 (um sábado), quando não foi registrada nenhuma ligação útil, chegaram 23 trotes. Os dias com menos trotes foram justamente os dois feriados do mês - 1º (Dia do Trabalho) e 29 (Corpus Christi).
Foram três trotes no dia 1º e sete no dia 29. Grummt tem uma explicação para o caso. O maior número de telefonemas evasivos acontece nos horários de entrada e saída das escolas. É quando os alunos aproveitam que estão na rua para usar o orelhão e discar o 193. ‘‘Mas muitas vezes o trote vem de adultos e dá para perceber que é feito de telefones particulares’’, frisa o comandate. Dos cerca de 34 trotes diários, no entanto, não mais do que sete chamam a guarnição para ‘‘trabalhos de emergência’’.
A maioria das ‘‘ligações evasivas’’ quer apenas tirar ‘‘sarro’’ dos bombeiros. São pessoas que ligam, por exemplo, para dizer que está ‘‘pegando fogo’’ num palito de fósforo ou numa caixa d’água. Apesar desse tipo de trote não mobilizar a tropa para a rua, existe preocupação. ‘‘Isso pode congestionar as linhas e atrapalhar quem, de fato, tem necessidade’’, conta Grummt. Os trotes que chamam as viaturas são mais complicados e exigem a experiência dos bombeiros para evitar saídas inúteis.
Risco ‘‘Geralmente quem anuncia um falso incêndio desliga antes de responder todo o questionário que lhe é feito’’, explica o comandante. Também caem em contradição com respostas diferentes para perguntas iguais. ‘‘Além disso, quando há uma ocorrência de verdade, chegam vários telefonemas ao mesmo tempo’’. Mesmo assim, não há como deixar de ‘‘cair’’ nos trotes. ‘‘Muitas vezes não dá para arriscar ficar parado’’, salienta Grummt. A viatura sai às ruas e perde tempo a procura de acidentes inexistentes.
Esse tipo de trote traz duas preocupações aos bombeiros. Primeiro, a viatura e os homens que foram atrás do trote podem fazer falta para uma ‘‘ocorrência de verdade’’. Depois, há o risco da viatura se envolver em algum acidente no meio do caminho. ‘‘Até hoje não tivemos esse problema, mas estamos correndo risco’’. Uma das soluções é a instalação do ‘‘bina’’, um aparelho que identifica de onde saíram as chamadas, o que só vai ser possível depois que a Telepar modernizar o ramal 823, onde está ligado o 193.

mockup