Bombeiros querem solução para afogamentos
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quarta-feira, 19 de novembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O Corpo de Bombeiros de Londrina quer uma definição sobre o acesso de banhistas ao Lago Igapó. O órgão aguarda resposta da prefeitura a um ofício enviado na última quarta-feira, solicitando uma reunião com representantes do Município. O objetivo é discutir medidas efetivas para evitar afogamentos no local.
Em reportagem publicada pela Folha, no mês passado, diversas autoridades se eximiram do papel de prevenir acidentes, inclusive os bombeiros. A conclusão do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, foi de que não havia como evitar os afogamentos, considerados ''fatalidades''. Em 2002, 19 pessoas foram vítimas desse tipo de acidente em Londrina, sendo 15 nos meses mais quentes do ano.
Agora, o Corpo de Bombeiros propõe que o Município decida se vai liberar o banho no Lago Igapó 1, o mais movimentado, ou proibir definitivamente a prática. ''Essa decisão tem de ser tomada com base na avaliação dos bombeiros, da CMTU, da Vigilância Sanitária, do IAP (Instituto Ambiental do Paraná). Cada uma dessas partes deve colocar suas condições, e se a prefeitura optar por liberar a recreação, isso vai implicar em algumas regras'', assinala o major do Corpo de Bombeiros, Dario Natan.
Entre as medidas de segurança que poderiam ser implementadas no Lago Igapó, Natan destaca a instalação de colunas de contenção, com um metro de profundidade, dentro da água. Feitas em tubo de PVC com concreto, as colunas estabeleceriam o limite permitido para crianças de menos de 10 anos. Uma área maior seria delimitada para nadadores experientes, com horários programados e sob a proteção dos bombeiros.
Uma segunda medida, de acordo com Natan, caberia à administração pública. A prefeitura teria que colocar funcionários para vigilância e orientação nas áreas não protegidas pelos bombeiros. ''Agora, se o Município resolver proibir o acesso ao Igapó, teremos que partir para ações repressivas mais austeras'', diz o major, frisando que isso só seria viável para os bombeiros em parceria com a Polícia Militar (PM) e o Conselho Tutelar.
''O grande número de adolescentes que nadam no lago precisariam sofrer sanções, mas com teor educativo'', aponta. Natan garante que o Corpo de Bombeiros já está preparado para colocar soldados nas atividades de proteção ou repressão, e que dispõe até de um jet-ski adquirido para trabalhar no lago, mas até hoje sem uso.
O chefe de gabinete da prefeitura de Londrina, Adalberto Pereira, afirmou que recebeu o ofício do próprio comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Aloísio Costacurta Vieira, e entendeu como ''prudente'' a iniciativa. ''Vamos reunir várias entidades para discutir como equacionar essa questão e definir responsabilidades'', afirmou. Pereira disse que ainda não há data definida para a reunião, mas que ela será realizada ''o mais rápido possível, porque o verão está chegando''.


