Curitiba O Corpo de Bombeiros comemorou, ontem, os 90 anos de fundação da instituição com uma homenagem aos descendentes do primeiro comandante da unidade no Paraná, o major Fabriciano do Rego Bastos. A data foi comemorada com um discurso em defesa da expansão e emancipação da corporação, feito pelo coronel Ivaldo Marchesi.
''O grande desafio do Corpo de Bombeiros é buscar seu próprio perfil, sua personalidade. Isso só vai acontecer com a emancipação da unidade'', afirmou ele, pregando a desagregação dos bombeiros do quadro da Polícia Militar do Paraná. ''Temos uma função completamente diferente da PM. Os policiais militares têm como meta o controle da criminalidade. Nossa meta é a prevenção de acidentes, combate a incêndios, buscas, salvamentos, defesa civil'', alertou.
Uma proposta de alteração de emenda constitucional já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa, tornando o Corpo de Bombeiros subordinado diretamente à Secretaria de Estado de Segurança Pública. O projeto é assinado pelos deputados Hermas Brandão (PSDB), Algaci Tulio (PSDB) e Durval Amaral (PFL). ''Precisamos ter autonomia de trabalho, na formação, nos cursos. Nossa doutrina institucional é diferenciada'', explicou o capitão Juceli Simiano Júnior.
Além de autonomia de trabalho, os bombeiros buscam ainda autonomia financeira. Com a separação das unidades, os recursos que a Polícia Militar repassa aos bombeiros seriam depositados diretamente no caixa da instituição. Atualmente, o Corpo de Bombeiros está presente em 46 cidades paranaenses, com 3,1 mil homens. A intenção é ampliar para 100 unidades nos próximos anos.
Caso o projeto de emenda constitucional seja aprovado, a instituição terá 180 dias para regulamentar a função dos bombeiros e criar legislação própria. Até então, a mesma permanecerá como atribuição da PM. Em todo o Brasil, 19 Estados já contam com o Corpo de Bombeiros autônomo.

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