Bombeiros procuram donos para pit bull abandonados
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Se eles fugiram ou foram abandonados, os bombeiros não sabem. A questão é que dois cães da raça pit bull estão há quatro dias sendo tratados por soldados na sede do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, localizado na Rua Tietê, Vila Nova (Área Central de Londrina). Os dois animais estavam no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) e foram recolhidos pelos bombeiros, apesar de a coorporação não ser responsável pelo captura de animais. O problema se agrava pelo fato de o município não oferecer um local específico para deixar os diversos animais sem dono que circulam pelas ruas.
O sargento Laércio Xavier conta que a Central de Operaçãos dos Bombeiros (Cobom) atende uma média de oito ligações diárias de pessoas solicitando a captura de cachorros. ''Normalmente são da raça pit bull ou cães grandes que as pessoas têm medo de serem atacadas. Esses dois que pegamos não chegaram a atacar ninguém, mas os moradores do bairro pediram que a gente recolhesse. Eles são dóceis, um deles, inclusive, está até de coleira, deve ter se perdido do dono'', disse.
Os dois cachorros aparentam ser tranquilos e nenhum deles manifesta reação agressiva quando a reportagem da FOLHA ou algum bombeiro chega perto. Um deles, branco e preto, está cego de um olho. O sargento salientou a importância das pessoas procurarem outros meios de ajudar esses e outros animais que vivem nas ruas porque os bombeiros não são responsáveis pelas capturas. ''Percebemos que tem aumentado o número de ligações de gente pedindo ajuda, mas não temos como cuidar e nem para onde levar. Às vezes o próprio dono acaba amarrando o animal em algum lugar e o deixa lá, abandonado'', comentou.
A presidente da ONG SOS Animal, Marianna Nogueira, disse que a posse irresponsável - pessoas que pegam um animal para cuidar e resolvem se desfazer do bicho pouco tempo depois - tem sido o principal fator que eleva a cada dia o número de animais abandonados nas ruas de Londrina. Ela disse que na cidade são cerca de 35 mil cães e gatos em Londrina, mas não soube especificar quantos estão abandonados.
Marianna salientou que a ONG não defende a criação de um centro de zoonoses como funciona na maioria dos grandes centros, onde os animais são sacrificados quando não encontram alguém que cuide. ''Poderíamos trabalhar em parceria com a prefeitura, realizando feiras de doações, recolhendo os animais, mas levando para um local onde eles poderiam ficar até acharmos um dono. O SOS não tem um local específico, contamos somente com apoio de voluntários'', disse.
Ontem, Lígia de Oliveira, voluntária da ONG, tentava encontrar alguém para cuidar de um dos cães recolhidos pelos bombeiros. ''As pessoas abandonam mesmo. Todos os dias recebemos várias ligações, não tenho nem idéia de quantas'', comentou.
Feira
Com o objetivo de encontrar interessados em adotar cães e gatos que foram recolhidos pela ONG, o SOS realiza uma feira de adoção neste sábado, das 9h30 às 14 horas, no Calçadão da Avenida Paraná, próximo ao antigo Coreto. A presidente da ONG salienta que estarão disponíveis filhotes e adultos. A maioria das fêmeas é tratada e castrada. Mais informações sobre o SOS Animal pelo telefone 8429-3611.


