Depois de oito anos sem repor o efetivo de soldados do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado de Segurança Pública iniciou ontem o curso de formação de soldados bombeiros militares, do qual participam 49 recrutas. São homens com idades entre 18 e 28 anos, de várias regiões do Paraná e duas cidades de São Paulo, que venceram a concorrência de 13 mil candidatos e enfrentaram um processo seletivo que começou em setembro do ano passado. Entre os desafios já superados, provas teóricas, práticas (de habilidades específicas) e muitos exames médicos. O curso é realizado no posto do Jardim Tóquio (Zona Oeste).
O primeiro dia da futura carreira foi movimentado. Em vez do tradicional trote no meio da selva, os recrutas doaram sangue, fizeram faxina no quartel, cortaram o cabelo, tiraram as medidas da farda, aprenderam as primeiras lições de deslocamento em pelotão (ordem unida) e, claro, tentaram se ambientar com a nova rotina. Um certo nervosismo podia ser visto nos olhares inquietos e nos passos rápidos, de quem precisa demonstrar o máximo de respeito e presteza aos superiores. O tenente Wilson Oliveira Paulino, coordenador do curso, aproveitava as deixas para descontrair, dentro do possível, o ambiente. ''Vai de costas para eu achar que você já está voltando'', ordenou a um dos recrutas, ao determinar que ele chamasse o colega para cortar o cabelo.
Até assumirem os trabalhos de prevenção de incêndios e atendimento nas ambulâncias e caminhões de combate a incêndio e salvamento, eles terão que enfrentar nove meses de treinamento, que inclui também algumas matérias do curso de socorrista. Enquanto forem alunos, eles ganharão entre R$ 550 e R$ 600 por mês (líquido), como soldados de segunda classe. Ao término do curso, serão promovidos a soldados de primeira classe e passarão a ganhar em torno de R$ 1 mil. Para o tenente Wilson, mais do que o salário, o que atrai tantos candidatos à profissão é o respeito inspirado pela carreira militar e a estabilidade.
Para o aluno Marcos Mendes, 19 anos, de Cornélio Procópio, o fato de ter sido atleta pesou na escolha. ''Eu sabia que podia me sair bem nos testes de resistência física. Além disso, meu avô é militar reformado, e eu sempre admirei a carreira, que oferece chances de ascensão profissional.'' Marcos sonha em trabalhar na área de salvamento aquático e pensa em ingressar na academia de oficiais, que lhe daria a oportunidade de um dia chegar a coronel. ''Estou preparado para enfrentar tudo'', garantiu, com o ânimo de quem acaba de escolher o seu caminho.

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