Uma equipe formada por agentes de controle de endemias e dois oficiais de Justiça cumpriu, durante todo o dia de ontem, oito mandados judiciais expedidos pela 3 Vara Cível, que determinavam a vistoria de residências que recusaram a visita dos agentes durante campanha municipal de controle à dengue. Em nenhuma delas foi encontrado foco do mosquito, mas dois casos exigiram a mobilização de bombeiros e agentes de saúde, por envolverem grande número de animais e condições insalubres de moradia.
Na última casa visitada no dia, no Jardim Alvorada (Zona Oeste), a equipe se deparou com uma situação alarmante. Dezenas de cachorros recolhidos nas ruas pelo proprietário vivem dentro e fora da residência, onde também mora uma idosa que aparenta ter cerca de 80 anos. Ela é mãe do dono da casa e, ao que tudo indica, é impedida de sair da casa pelo filho.
''Nenhum de vocês tem condições de entrar ali. A condição em que vive aquela senhora é sub-humana, caótica. Ela não está em condições nem de responder por si, está muito abalada. Tenham compaixão dela'', pediu o 3º sargento Rivelino, do Corpo de Bombeiros, um dos que entraram na casa com os agentes para controlar os cães. Os bombeiros definiram a situação como ''deprimente'' e informaram que era grande a sujeira da casa. Eles calcularam que dentro do terreno havia ''uns 50 cães''.
Uma enfermeira do Programa Saúde da Família (PSF) da Unidade Básica de Saúde do bairro foi chamada, mas foi impedida de entrar na casa pelo proprietário. ''Ele argumentou que ela está muito nervosa, mas disse que amanhã vai levá-la para uma consulta. Não podemos entrar na casa à força'', explicou.
Os vizinhos revelaram que há anos convivem com o forte mau cheiro exalado pela casa e pelo barulho dos cães. ''É um horror, eu tenho crianças pequenas e tenho que viver com as janelas fechadas'', afirmou um deles.
O diretor de saúde ambiental da Secretaria de Saúde de Londrina, Maurício Barros, acompanhou a visita e garantiu que daqui para frente as vistorias serão frequentes. ''Se ele (proprietário) voltar a barrar nossa entrada, voltaremos a recorrer à justiça.'' A secretária municipal do Idoso, Cristina Coelho, foi informada da situação.
De acordo com Barros, esta é a segunda vez que a Saúde precisa usar de artifícios judiciais para fiscalizar focos de dengue na cidade. No ano passado foram cumpridos 20 mandados e durante a operação, quatro caminhões de lixo foram retirados das residências. ''Uma única recusa é suficiente para entrarmos com um mandado na Justiça'', alertou o diretor de saúde.
Segundo Barros, quando o agente de endemias é impedido de entrar, ''seja pelo proprietário, inquilino ou até empregado da casa'', o funcionário da Saúde elabora um documento, inclusive com o relato de testemunhas. Hoje mais quatro casas serão inspecionadas, totalizando 12 residências.
Conforme o oficial de Justiça Sergio Gaio, os proprietários das casas notificadas serão citados e terão 15 dias para contestar a ação judicial. A lei prevê ainda que se o agente encontrar um foco de dengue, a Sa© úde pode aplicar uma multa de R$ 50. A reincidência vale o dobro, sendo que o valor máximo da penalidade pode chegar a R$ 300. Este ano já foram registrados 803 casos de dengue em Londrina, sendo 53 importados e outros 226 em análise laboratorial.

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