O corpo do retificador de motores Marcelo Vanin de Paula, 24 anos, foi encontrado por volta das 13 horas de ontem por soldados do Corpo de Bombeiros de São José dos Pinhais. Marcelo estava desaparecido há seis dias, quando saiu para acampar com três amigos no morro do Anhangava, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com o sargento Ney Muchensky, do Corpo de Bombeiros de São José dos Pinhais, o corpo foi encontrado a cerca de 400 metros do local onde o rapaz foi visto pela última vez. O cadáver estava em estado de decomposição, preso a galhos de árvores e pedras de um rio que corta a localidade de Roda da Água, em Quatro Barras. A região montanhosa faz parte da Serra do Mar.
Marcelo morava em Curitiba, no Bairro Novo. A cabelereira Elizabeth Vanin, 44 anos, não tinha esperanças de encontrar o filho com vida. ‘‘Desde a hora que isso aconteceu, achei que ele estava morto’’. A cabelereira acredita que Marcelo foi assassinado pelos colegas. ‘‘Assassinaram ele. Foi um crime premeditado’’, acusou. O delegado de Quatro Barras, Douglas Vieira, disse que não pode tirar conclusões antecipadas sem encerrar o inquérito.
Ontem, o delegado ouviu os três amigos que acompanharam Marcelo. Vieira levantou duas contradições nos depoimentos do pedreiro Sandro Moreira Rodrigues, 28 anos, o Negão, e do pintor Gerson Davidowicz, 24 anos, o Repolho. Eles alegaram que foram assaltados por um bando de oito a dez homens quando regressavam do acampamento na sexta-feira, dia 14. Neste suposto roubo, uma barraca e uma mochila de Marcelo teriam sido levadas pelos assaltantes.
O autônomo Marcos Roberto Ferreira, 24 anos, que acompanhava o grupo de amigos, contou versão diferente. Ele revelou que os materiais foram vendidos pelo preço de R$ 20,00 para a costureira Nadir da Luz de Souza, 44 anos, moradora da Vila Zumbi, em Curitiba. A mãe de Marcelo, Elizabeth Vanin, acredita que a morte do filho esteja ligada à venda da barraca. Os três relataram que não houve desentendimentos com o rapaz.
Outra informação levantada pela polícia sobre o desaparecimento do retificador é de que ele consumiu muita bebida alcólica enquanto subia o Morro do Anhangava. Embriagado, o rapaz era constantemente auxiliado pelos colegas. Numa das partes do caminho, ele teria dito aos demais que iria descansar. Os colegas teriam decidido deixá-lo para trás, já que Marcelo conhecia a região desde os 14 anos.Mauro FrassonSuspeitaO Morro do Anhangava, onde morreu Marcelo de Paula (topo da página). Elizabeth Vanin (ao lado do marido) acredita que seu filho foi assassinado pelos colegasDimitri do Valle

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