Bombeiros Civis de Lerroville ameaçam parar
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quinta-feira, 08 de novembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Há dois anos, um grupo de voluntários - que se denominam bombeiros - chegou ao distrito de Lerroville (Zona Sul), o mais afastado da Zona Urbana da cidade, com o ideal de prestar serviços à população.
Fardados e movidos pela disposição, os 15 homens foram adotados pela comunidade e até organizaram um quartel. Hoje, eles garantem que realizam em torno de 80 atendimentos por mês e ainda fazem as vezes de carteiros às segundas, quartas e sextas-feiras, dias em que a agência dos Correios não atende no distrito.
No entanto, depois de todo esse tempo de serviço, o grupo agora ameaça encerrar as atividades. A falta de apoio, e também de reconhecimento, por parte do poder público inviabiliza as atividades dos bombeiros voluntários. Falta uma linha telefônica no posto de atendimento - eles trabalham em um antigo módulo da Polícia Militar (PM) -, faltam equipamentos e, principalmente, falta uma viatura.
De acordo com o coordenador do grupo, Daniel Martins, todos os voluntários moram em Londrina e se deslocam por conta própria até o distrito. O alimento durante os plantões é fornecido pelos moradores. O telefone de emergência é o ''orelhão''. A viatura é o veículo do próprio coordenador, um Pálio, sem condições de transportar traumatizados. O combustível é pago pelos voluntários. Os treinamentos são oferecidos por enfermeiros da cidade e técnicos do Instituto Médico Legal (IML), uma vez que o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná também não reconhece o trabalho dos voluntários de Lerroville.
''Queremos continuar com o serviço e percebemos que a comunidade precisa do nosso trabalho. No último fim de semana, um senhor teve parada cardiorrespiratória e foi salvo pelos nossos atendentes. Se não estivéssemos aqui ele teria morrido'', relatou o voluntário William Alves da Silva.
Com a possibilidade da saída do grupo do distrito, moradores estão organizando protestos para tentar chamar a atenção da prefeitura. ''Vamos até promover uma festa para tentar arrecadar fundos para que eles fiquem'', comentou a dona-de-casa Edinalva Rodrigues Costa.
''Não estamos pedindo dinheiro, só queremos uma melhor estrutura para o nosso trabalho. Tem ambulâncias que ficam paradas no posto de sa© úde, se forem cedidas para nós, estamos dispostos a montar uma central de atendimento do Samu, de forma voluntária. Existem leis municipais e estaduais que permitem este convênio. Já conversamos com o Adalberto Pereira (secretário de governo da Prefeitura de Londrina) e ele disse que nosso serviço não é necessário'', desabafou Martins.
A FOLHA procurou o secretário de governo Adalberto Pereira e ele confirmou que não há interesse da Prefeitura Municipal em fazer qualquer convênio com o grupo. ''Eu desconheço o trabalho deles. Temos convênio com o Corpo de Bombeiros de Londrina, que já nos atende muito bem.''


