As chamas que em poucos minutos reduziram a cinzas uma loja de artigos natalinos na avenida Higienópolis (centro de Londrina) na última terça-feira assustaram a população e revelaram falhas no sistema de combate a incêndios na cidade como, por exemplo, a dificuldade que teve uma das primeiras viaturas que chegou ao local para fazer funcionar um hidrante de um prédio próximo. Diante disso, fica a pergunta: Londrina tem hidrantes em número suficiente e em boas condições para atender emergências deste tipo?
Para o gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, o londrinense está sim bem servido pela rede de hidrantes. Segundo ele, existem atualmente 380 equipamentos instalados em toda a cidade que passam por vistorias e reparos periódicos. Para comprovar sua afirmação, Bahls calculou que existe 1,3 hidrante para cada quilômetro instalado de rede. ''Este índice nos deixa até um pouco acima do que é exigido'', comentou. O gerente esclareceu que a instalação do equipamento obedece as exigências definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e estudos de risco e solicitações feitas pelos bombeiros.
O capitão Wilson Oliveira Paulino, do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina, concordou que a área central é bem servida de hidrantes públicos. O problema é que, algumas vezes, a sujeira e o furto de peças prejudicam sua utilização. Já nos bairros mais periféricos, continuou o capitão, a cobertura de hidrantes é bem menor.
Paulino explicou ainda que prédios com quatro pavimentos ou mais ou construções acima de 1,5 mil metros quadrados precisam contar com hidrantes próprios, equipamentos de combate a incêndios nos andares, reservatório de água com capacidade suficiente, além de extintores e saídas de emergências e de portas anti pânico. Todos os equipamentos precisam ser mantidos em bom estado de conservação. Quando alguns destes ítens de prevenção e segurança não funcionam adequadamente, o proprietário do imóvel pode ser responsabilizado.
Sobre os problemas enfrentados pelas viaturas durante o incêndio que atingiu a TokFinal, uma reunião do comando do Grupamento, ontem, avaliou o atendimento realizado. A corporação pretendia divulgar uma nota de esclarecimento mas o capitão adiantou que a primeira viatura teria chegado ao prédio às 16h34, três minutos após ser solicitada. Porém, os bombeiros tiveram dificuldades para usar um hidrante instalado em um prédio nas proximidades. Além das viaturas da base do Igapó, foram deslocados carros da central, da Zona Sul e da Zona Oeste. Os bombeiros informaram que a loja tinha alvará mas não possuía laudo de vistoria. A Secretaria Municipal de Obras alegou que o laudo do vistoria só seria exigido para liberação do ''Habite-se''. No caso da loja, como o prédio já possuía o documento, a única exigência seria um visto do Corpo de Bombeiros na planta.
A Folha não conseguiu contato com a proprietária da loja para falar sobre o assunto.

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