Bombeiros alertaram sobre perigo em autódromo
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Luiz Claudio Oliveira<BR>Equipe da Folha 
São José dos Pinhais - A guarnição do Corpo de Bombeiros de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, afirma que houve falha da organização da 7ªEtapa de Velocidade na Terra em corrida que resultou na morte da espectadora Bruna Moreira Borges, de 19 anos. Segundo o tenente Marcos Galeazzi, dos bombeiros, a Federação Paranaense de Automobilismo e a administração do Autódromo Afonso Pena foram avisadas que não poderia haver público justamente no local onde ocorreu o acidente. O aviso teria ocorrido durante uma vistoria feita há cerca de dois meses.
Não poderia haver público naquele local. Houve um problema de controle de público pelos organizadores da prova, afirmou o tenente Galeazzi. Isso não procede, o que houve foi uma fatalidade. O autódromo estava vistoriado e aprovado. Nunca houve limitação para público naquele local, contesta o administrador do Autódromo, o vereador Adalberto Gastão Vosgerau (sem partido).
A Delegacia de São José dos Pinhais já abriu inquérito para apurar as responsabilidades. No próprio domingo já foram ouvidos representantes da Federação Paranaese de Automobilismo, o administrador Vosgerau e o piloto envolvido no acidente, Amauri Lisboa Junior. A Federação Paranaense de Automobilismo também faz uma investigação para tentar descobrir o que provocou o acidente. Ontem a Federação não abriu, como sempre acontece às segundas-feiras, dia de folga pois as provas acontecem nos finais de semana.
O desastre aconteceu na primeira curva da primeira volta da pista de velocidade na terra. O gol pilotado por Lisboa Junior não fez uma curva e voou por cima de uma cerca de aproximadamente 1,5 metro de altura antes de atingir os espectadores. Ele passou direto, por cima da cerca, sem tocar em nada, no final de uma curva. Se tentássemos fazer isso de propósito, com um carro ainda mais veloz, não conseguiríamos. Foi uma fatalidade, explicou o administrador do autódromo.
É uma curva no final de uma reta e se até os carros da Fórmula Indy passam por cima da cerca, quem dirá os de uma pista de terra. Houve problema de controle de público, insistiu o tenente-bombeiro Marcos Galeazzi. Nós vamos ter que rever tudo, pedir nova vistoria e um levantamento de tudo o que deve ser feito, admite Vosgerau.
O Autódromo Afonso Pena foi inaugurado em 1984 e até hoje nunca havia tido uma cidente mais grave, muito menos envolvendo uma morte. O último acidente com morte no automobilismo do Paraná aconteceu em 1980, em uma prova também de velocidade na terra, no município de Laranjeiras.


