Bombeiros alertam para segurança no trabalho
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Independente da causa, seja negligência da empresa ou imprudência do funcionário, os acidentes de trabalho fizeram desde o começo do ano quatro vítimas fatais na região de Londrina. Na opinião do sub-comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, em Londrina, tenente Dario Natan Bezerra, alguns requisitos básicos de segurança, como o uso de equipamentos apropriados, estão sendo ignorados.
Essa situação, segundo ele, além de engrossar as estatísticas de acidentes com mortes, é uma prova de como a legislação trabalhista no País continua sendo desrespeitada. ''Para evitar esse tipo de acidente, em primeiro lugar é preciso obedecer a legislação de segurança do trabalho. O problema é que muitas empresas nem a conhecem direito'', lamentou o major.
Ontem, mais um acidente aconteceu na região. O operário Nilton Teixeira Macedo, 42 anos, trabalhava em cima de um silo, que pertence a uma empresa que revende insumos agrícolas em Cambé (13 Km a oeste de Londrina), quando escorregou e caiu de uma altura de seis metros. Ele teria escorregado por um tubo de mais seis metros antes de chegar ao chão. Apesar das lesões, ele passa bem e seria liberado ontem à tarde do hospital.
Em três casos fatais registrados desde janeiro, as vítimas perderam a vida caindo de uma altura média de seis metros. Todas faziam serviço de reforma em barracões de empresas. De acordo com o major, quando um operário se arrisca em alturas desse porte, os equipamentos de segurança são indispensáveis. E a correta utilização deles também. A primeira medida é verificar se o andaime utilizado na obra está bem fixando em pelo menos dois pontos diferentes. ''O andaime não pode colocar em risco a integridade do funcionário, por isso mesmo precisa estar estabilizado, sem balançar'', receitou.
No caso do cinto de segurança o rigor é ainda maior. Recomenda-se que ele esteja ancorado em dois pontos distintos para evitar a queda. Se um falhar, o outro estará pronto para segurar o trabalhador. ''Em geral, esses pontos são cordas de segurança, que são fixadas na próprio prédio onde está sendo feita a obra ou no andaime'', explicou Bezerra. Outro itens também são importantes, como luvas, capacete e roupas apropriadas de acordo com o grau de risco do trabalho.
Para o major, a desatenção dos operários é a principal causa dos acidentes de trabalho. ''Infelizmente é isso o que temos registrado. Ele quer terminar logo o serviço, ir pra casa e acaba deixando de lado os equipamentos. Hoje em dia, está faltando consciência preventiva, tanto nos funcionários, como nas empresas'', constatou.
Nos quatro casos, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias dos acidentes. Em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), dois operários que trabalhavam na reforma de um barracão morreram em um intervalo de 15 dias. O delegado Valter Helmut disse que irá intimar o responsável pela obra, que continua interditada, para prestar depoimento. Segundo ele, as vítimas não usavam equipamentos de segurança. ''Nossa tarefa é descobrir quem é o responsável pelo acidente, se é o dono do barracão ou a pessoa que contratou a empreita''. Em Cambé, a polícia também prometeu investigar o caso do pintor que escorregou de cima do prédio de uma empresa e morreu com a queda.


