Depois das pulseirinhas do sexo um outro acessório tem tirado o sossego de alguns pais. Os anéis de aço, encontrados facilmente em qualquer loja do Camelódromo de Londrina, são nova moda entre os adolescentes. Dourados, prateados, com ou sem desenhos, os anéis geralmente são grossos e o risco está justamente nessa característica. Bombeiros alertam que neste ano foram acionados quatro vezes para retirar o anel do dedo de adolescentes. A operação é complicada e requer o uso de uma furadeira.
A última solicitação aos bombeiros foi feita na terça-feira, pela família de uma adolescente de 12 anos. De acordo com a mãe da estudante, Cleusa Ferreira da Silva, a menina colocou o anel e não conseguiu mais tirar. ''Ela veio gritando pedindo ajuda. Como já fazia alguns minutos que ela estava tentando, o dedo dela começou a ficar muito roxo.''
A família foi em uma Unidade Básica de Saúde, mas, preocupados com a possível demora no atendimento, ligaram para o Siate. ''O anel chegou a sumir na mão dela de tão inchado que o dedo ficou. Ela ficou desesperada e chorava com medo de perder o dedo'', disse a mãe, afirmando que todas as amigas da filha também usam o anel.
A menina foi levada até o quartel do 4º Grupamento de Bombeiros, onde foi realizada a demorada operação de corte do acessório. De acordo com o subtenente Paulo de Tarso Figueiredo, foi usado uma microrretífica (uma espécie de furadeira) com uma esfera na ponta para cortar o material. ''Colocamos a mão da menina embaixo d'água para não esquentar e cortamos o anel. Só este ano já socorremos quatro adolescentes de no máximo de 16 anos. Ano passado tivemos pelo menos umas seis ocorrências desse tipo'', disse.
A reportagem da FOLHA foi até as proximidades de escolas públicas e encontrou adolescentes usando o acessório. Em frente de uma escola, inclusive, havia ambulantes oferecendo o anel por R$ 4 a R$ 8. Uma menina de 14 anos, da 7 série, afirmou que usa o anel há pouco tempo, depois que vários amigos passaram a comprar. Segundo ela, os adolescentes, inclusive meninos, começaram a adquirir o acessório depois que foram proibidos de usar as pulseirinhas do sexo. ''Antes era as pulseirinhas, agora é o anel. Às vezes, quando durmo com ele, acordo com o dedo inchado. Está na moda, é legal'', comentou.
Outra adolescente, de 11 anos que estuda a 5 série, disse que deixou de comprar o anel depois que sua irmã mais velha passou por dificuldades. ''Ela teve que passou muito óleo de cozinha pra conseguir tirar. Fiquei com medo e nem comprei mais.''

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