Bombeiro deixa para chorar depois
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Os pais do menino Gustavo acham que devem aos bombeiros a vida do filho de 1 ano e meio de idade. Em 16 de junho, ele caiu em um buraco, no bairro Piatti, zona norte de Cascavel, e foi retirado por soldados do Corpo de Bombeiros em ação que durou oito minutos, antes que desfalecesse. O buraco havia sido aberto para concretagem de pilares de uma construção, tinha quatro metros de profundidade e apenas 30 centímetros de diâmetro, o que praticamente impedia o menino respirar e não permitia qualquer movimento.
O caso pode ser lembrado como exemplar para a extensão do trabalho dos bombeiros, que hoje comemoram o Dia Nacional do Bombeiro. O subtenente Ivanir Pelizzoni de Souza, do 4º Grupamento de Incêndio de Cascavel, que é pai de três filhos e já dedicou 29 de seus 45 anos ao serviço, diz que episódios como o de Gustavo exigem profissionalismo durante a ação. Mas a gente não consegue conter a emoção depois. A mãe de Gustavo, a dona-de-casa Maiuza Nethson, recorda que para ela só havia desespero. Mas eles tiveram frieza e acharam a saída.
O subtenente Pelizzoni, que participou do salvamento, relata que teve que ser encontrada no ato uma forma de retirar o menino, por isso os bombeiros inventaram um gancho, preso a uma corda, e puxaram o garoto pela gola da camisa cuidadosamente, para evitar desmoronamento. Quando se trata de criança é sempre delicado e a gente é mais afetado, diz Pelizzoni, lembrando que é comum o bombeiro chorar depois que a ação termina. Em casa a gente evita ficar falando do assunto para não prolongar a emoção, revela.
Pelizzoni especializou-se em salvamentos na água como mergulhador, já tendo participado de mais de 100 ações. Embora seja o mais antigo no 4º Grupamento e próximo da aposentadoria, prefere não falar de sua participação pessoal nas ações.
Tudo é feito coletivamente em nome do Corpo de Bombeiros, argumenta. Para completar o salário na corporação - que prefere não revelar mas diz ser razoável -, fez curso de pedagogia e leciona em escola pública à noite, recebendo R$ 600,00 por mês.
Segundo o capitão Carlos Alberto Mascarenhas Machado, relações públicas do 4º Grupamento de Incêndio, o salário inicial de um bombeiro é de aproximadamente R$ 700,00. O Grupamento tem 343 integrantes, distribuídos em sete quartéis no Oeste e Sudoeste paranaense, e está incorporando nova turma com quarenta integrantes.
Em todo o Paraná, são aproximadamente quatro mil bombeiros. Para marcar o Dia Nacional do Bombeiro, em Cascavel, será realizada hoje exposição de equipamentos, no Calçadão, no centro da cidade.


