Bombeiro ainda não recuperou movimentos
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
O reveillon de 2003 mudou para sempre a vida do bombeiro Isael Moreira Gonçalves, 34 anos, homenageado ontem na Câmara de Vereadores por bravura em serviço. A ambulância do bombeiro capotou na PR-445, quando estavam indo atender uma ocorrência em Tamarana. Com graves lesões na coluna, a luta dele hoje é para tentar se reablitar.
Desde o acidente, a vida de Gonçalves se resume em sessões de fisioterapia, exercícios na piscina e, como distração, TV. Ele perdeu os movimentos das pernas e parte do movimento dos braços. ''Para quem nunca ficava parado, estava sempre fazendo alguma coisa é muito difícil ficar assim'', argumenta a irmã Rosana Moreira Gonçalves de Araújo, 31 anos, que mostra o álbum do irmão, recheado de fotografias dele no alto de prédios, em aviões e até com uma onça, todos retratos de operações.
A fala de Gonçalves também foi prejudicada pelo acidente. Ele soletra algumas sílabas e letras do início da palavra desejada e a família tenta adivinhar o que ele quer. O processo não é fácil e, muitas vezes, bastante longo. Durante a entrevista, por exemplo, com alguma dificuldade, Izael pediu para a irmã coçar-lhe a cabeça. Para isso, soletrou a letra C e, por eliminação, Rosana chegou ao verbo. Depois disso, também por eliminação, ela achou o ponto desejado. ''Uma coisa tão simples que ele não pode fazer mais sem ajuda, é difícil para gente ver ele assim, nós temos certeza que ele pode ser reabilitado até tornar-se mais auto-suficiente'', diz a irmã.
A família luta agora para enviar Gonçalves para o Hospital Sara Kubitschek, em Brasília. A unidade é o maior centro de tratamento e reabilitação de traumas do país. ''Ele faz fisioterapia aqui mas a gente sabe que lá tem mais recursos'', afirma. Segundo ela, o caso dele está sendo analisado pelo hospital desde o início do ano.
Depois do envio de prontuários e uma série de documentos ele foi aprovado, mas até agora não foi liberada uma vaga para o início do tratamento. ''É triste saber que ele se machucou em serviço e agora é tão difícil conseguir alguma ajuda'', desabafa.
O drama da família do bombeiro é fruto de uma carência de todo o sistema de saúde. No Paraná não existem centros especializados em reabilitação para traumas. Todos os casos graves do estado precisam ser tratados no Hospital de Clínicas (HC) de São Paulo e nos hospitais da rede Sara em Brasília e Belo Horizonte.
No ano passado, segundo dados da Seção de Integração de Programa de Assistência à Saúde da 17 Regional de Sa© úde de Londrina, 104 viagens foram agendadas para que pacientes da região pudessem se tratar, apenas de problemas relacionados a traumas, fora do Estado. É direito do paciente que caso a rede local não disponibilize o serviço, o SUS agente tratamento e arque com as despesas de viagem do paciente.
A assessoria de comunição do Sara Kubistchek informou que o setor de agendamento aguarda dois questionários da família de Gonçalves para liberar a vaga.


