Nos últimos 10 meses, Londrina viu, horrorizada, cinco casos em que bombas de fabricação caseira foram utilizadas com finalidades criminosas. O último, na na segunda-feira, a bomba disfarçada de rádio deixou quatro pessoas feridas no Jardim Maria Lúcia (zona oeste). A fabricação e o uso de artefatos do tipo parece estar aumentando. E o problema é a que o conhecimento para isso está à disposição de um clique de computador.
Não é preciso gastar muito tempo na Internet para se deparar com sites que ensinam os segredos das bombas caseiras. Muitos dão até sugestões de onde utilizá-las carros, escolas, computadores. Outros relacionam, inclusive, as equivalências domésticas de alguns dos produtos químicos utilizados na fabricação das bombas mais comuns.
Antes de ensinar a preparar a bomba, alguns colocam o aviso: ''Boa parte do material aqui encontrado é criminoso. Se você fizer uso dele, estará cometendo um CyberCrime e poderá ser detido pela polícia, processado e condenado à prisão''. Outros dizem que divulgam o material apenas por seu caráter ''educativo''.
Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal em Brasília, a divulgação de ''receitas'' caseiras para a fabricação de bombas ainda não é crime no Brasil. De acordo com o órgão, embora haja a suposição de uso criminoso, somente haverá crime se a pessoa fizer, armazenar ou comercializar a bomba. Segundo a assessoria, um projeto de lei, tipificando crimes pela Internet está em tramitação e pode mudar a atual realidade. ''O problema é que essa lei está em tramitação desde 1999'', apontou o assessor.
Segundo o tenente Marcelo Israel da Costa Vieira, comandante do Grupo de Operações Especiais do Pelotão de Choque da Polícia Militar de Londrina, com quatro cursos sobre explosivos, sua preocupação com as ''receitas'' da Internet diminuiu depois que dois adolescentes invadiram uma escola, há dois anos, em Denver, nos Estados Unidos, e mataram vários colegas. ''Quando o FBI soube que eles se inspiraram em sites da Internet para fazer bombas, começaram a agir. Agora o FBI monitora todos, entrando no site e modificando algum dado da receita'', explicou.
O tenente Israel diz que as ''receitas'' podem machucar e afirma que 80% das bombas caseiras explodem nas mãos das pessoas que as fabricam. ''Ali, são dadas apenas explicações básicas, mas nunca se fala do cuidado que precisa haver na manipulação daqueles materiais.'' Os locais mais atingidos são mãos e rosto.

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