Bomba caseira explode em minipresídio
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segunda-feira, 21 de agosto de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Uma bomba de fabricação caseira explodiu na tarde de ontem no pátio de sol do minipresídio de Cascavel. O artefato, de efeito principalmente sonoro e deslocamento de ar, mas com estilhaços de metal, explodiu em um ponto próximo e sob uma das guaritas de vigilância da Polícia Militar, provocando uma abertura no muro, de tamanho insuficiente para permitir a passagem de uma pessoa. Um preso sofreu ferimentos e teve que ser levado ao hospital para curativos.
Segundo o carcereiro Brás Depubel, aproximadamente 85 dos 280 presos estavam no solário, por volta das 15 horas, quando ocorreu a explosão. Nereu Alves de Paula, 34 anos, que cumpre pena por homicídio, e que estava muito próximo ao ponto da explosão, sofreu ferimentos principalmente no rosto. No ano passado, ele havia tentado fugir do minipresídio com maquiagem e roupas de mulher, fazendo-se passar por uma visita.
O delegado-chefe da 15ª SDP, Haroldo Davison, especulou que Nereu Alves de Paula pode ser o responsável pela bomba. O Instituto de Criminalística recolheu restos do artefato para investigar sua composição, enquanto a 15ª SDP investiga a autoria e a forma como entrou no minipresídio, ou se foi produzido no próprio local com materiais introduzidos durante visita aos presos. Possivelmente, isso ocorreu na visita de sábado à tarde, disse o delegado.
Segundo Haroldo Davison, com certeza o objetivo era produzir uma grande abertura no muro para uma fuga em massa. O delegado relata que mais de 70% dos presos são sentenciados, com até 30 anos de pena para cumprir. Para eles o negócio é tentar fugir, diz Davison. Ele explica que, porém, para provocar grande destruição, uma bomba precisa ser explodida em local fechado, ou entre obstáculos, e não em espaço aberto, como foi o caso.
O minipresídio, localizado na região do Parque Ecológico, é uma cadeia provisória, mas nele estão apenados porque não há um presídio oficial na cidade. A Penitenciária Industrial, em obras, deve ficar pronta apenas no final do ano. O minipresídio não registra fuga há dois anos.


