Bomba aumenta sobrevida de cardíacos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de julho de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
Uma nova alternativa para aumentar as chances de sobrevida de pacientes que sofrem algum tipo de insuficiência cardíaca deve estar disponível no Brasil em cinco meses. Trata-se de um novo coração artificial que, ao invés de substituir o órgão doente, atua como um dispositivo de assistência circulatória. A bomba de fluxo axial foi desenvolvida no Brasil pelo médico cardiologista curitibano Luiz Fernando Kubrusly, do Hospital Santa Cruz, que aguarda recursos para sua produção em escala industrial.
Segundo Kubrusly, surgem por ano no Brasil 250 mil novos casos de pessoas que esperam por um transplante cardíaco, enquanto que apenas 120 a 150 cirurgias são realizadas nesse mesmo período. Com o novo coração artificial, pelo menos 70% dos pacientes podem continuar vivendo à espera do transplante ou até mesmo acabar dispensando a cirurgia.
Kubrusly desenvolveu o aparelho baseado em pesquisas realizadas pelo cardiologista americano Bud Frazier, do Serviço de Transplante Cardíaco do Texas Heart Institute, Houston, Estados Unidos. Frazier esteve ontem, em Curitiba, apresentando o Jarvik 2000 para outros cardiologistas.
A bomba desenvolvida nos Estados Unidos é implantada dentro do coração. Girando no seu próprio eixo ela funciona como uma espécie de by-pass, tirando o sangue do coração e jogando para a veia Aorta. A bomba é movida por baterias. O sistema de captação de energia é instalado no abdômem. Os médicos americanos implantaram a bomba em 20 pacientes com bons resultados. Frazier acredita que 25% dos 4 milhões de americanos cardíacos podem ser tratados com o uso da bomba, evitando o transplante. O objetivo é fazer o coração descansar para permitir que ele se recupere, explicou Frazier.
Kubrusly procurou desenvolver um aparelho que fosse compatível com a realidade brasileira, já que nos Estados Unidos ele custa US$ 60 mil. O implante da bomba brasileira é feita para o lado de fora do coração. No órgão é introduzida uma cânula (tipo de tubo) na ponta do coração. Já foram realizados testes com animais durante 87 dias, e o aparelho funcionou perfeitamente. No Brasil, o dispositivo custaria cerca de U$$ 6 mil, valor similar ao de um marcapasso, cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


