Embora o Dnit tenha indenizado alguns proprietários às margens, a obstrução persistiu por causa dos direitos dos moradores na favela, observa o secretário da Prefeitura de Ventania, Osni Tomaz Pereira, atribuindo a demora também às divergências quanto ao financiamento das casas que serão construídas. Assumindo o Exército, obteve-se um valor compatível a um ''pacote'' compreendendo o terreno, a moradia de 44,5 metros quadrados e a infraestrutura (água, esgoto, energia, calçadas etc.).
Mudou o agente financeiro, agora a Companhia de Habitação do Paraná, informa Marina Cassar, diretora da empreiteira responsável pela construção do conjunto habitacional. As casas serão construídas numa área de 41.190 metros quadrados próxima ao Olho D'Água, em lotes que variam de 250 a 300 metros quadrados.
Apenas uma via pública com nome (Avenida Getúlio Vargas) e casas numeradas penetra na favela, que se compõe de barracos, construções de madeira desalinhadas e algumas de tijolos; há ligações de água e luz e o esgoto corre a céu aberto. Está em declive, à margem da linha férrea, destacando-se entre as moradias uma pequena serraria. Pelo menos uma parte foi loteada por legítimo proprietário, segundo informações.
''Comprei de um homem que mora na Vila Rural, sei que todos aqui compraram dele, mas ninguém tem recibo'', afirma Sônia Barbosa, morando com o marido e um filho pequeno. Ela acha que comprou há mais de dez anos e tem conhecimento da possibilidade de ser transferida dali, pois a sua moradia é uma das assinadas com tinta vermelha. ''A família está crescendo e aqui não é mais possível aumentar a casa, acho que será melhor noutro lugar.''
Izoil Pereira declara-se um dos quatro primeiros moradores do núcleo, juntamente com três cunhados, em 1979, quando compraram os terrenos. Diz que ''valeu a pena'', porque acabou sendo um bom negócio agora, ante a perspectiva de trocar a propriedade por uma outra casa.
Mineiro de Governador Valadares que chegou ao Norte Pioneiro na década de 1960, José Casimiro Pereira e sua companheira, Maria Margarida de Jesus, dizem ter comprado de um certo Zico o pedaço de terreno. Mas deram apenas a entrada, porque logo souberam que estava no traçado da rodovia e avisaram o vendedor que, sob risco de perda, não pagariam o restante. E assim ficou. Mas a casa, embora assinalada, talvez esteja fora do leito da rodovia, disse estar informado José Casimiro.(W.S.)

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