Bom humor marca protesto
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quarta-feira, 07 de junho de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina Especial para a Folha 
Cerca de quatro mil pessoas participaram ontem de manhã da passeata organizada pela APP-Sindicato, de Londrina, segundo informação do presidente do núcleo regional da entidade, Luiz Martins de Lima. Divididos em 12 alas, a multidão de professores e funcionários de escolas estaduais expôs suas reivindicações e críticas aos governos estadual e federal. Bem-humorados, eles se vestiram de preto pela morte da Educação, de branco para lembrar os fantasmas contratados pelo Estado, de beca para reclamar os direitos violados da categoria, de terno simbolizando os executivos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Também não faltaram críticas à secretária de Estado da Educação, Alcyone Saliba e ao governador Jaime Lerner (PFL).
Mesmo com ameaças de desconto no salário pelos dias parados, os grevistas demonstram bastante disposição. Não podemos voltar sem ganhar nada. Seria uma desmoralização pública, disse um professor que preferiu não se identificar. Na opinião de Marlene Aparecida Teodoro, que dá aulas em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), as promessas divulgadas pelo governo nos meios de comunicação só valem se forem registradas em cartório.
Entre os blocos alegóricos estavam os funcionários. Maria Aparecida Gomes Henschel era um deles. Ela é auxiliar de serviços gerais há sete anos em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), no Colégio Emílio de Menezes. Com 61 anos de idade, avó de três estudantes, esta é a primeira greve que participa. Mesmo sendo a única de sua escola a aderir ao movimento, Maria Aparecida faz questão de afirmar que está plenamente consciente do que pode acontecer e disposta a enfrentar tudo. No começo foi difícil convencer a família da minha necessidade de participação. Lutamos por uma causa causa justa, por isso não há justificativa para ser contra.
As professoras aposentadas Irene da Silva e Claudia Chaves de Oliveira não caminharam com seus colegas, mas pararam para ouvir o protesto em frente ao Núcleo Regional de Ensino, na Avenida Maringá (área central). Ambas disseram apoiar a greve, mesmo sabendo que seus netos estão sem aula. Irene lembra que quando estava na ativa sempre aderiu às paralisações porque acredita que essa é a melhor arma para conquistar e manter os direitos da categoria junto ao governo.


