Bom exemplo para os filhos
Sair de casa mais cedo, não ultrapassar os limites de velocidade e ignorar as broncas dos apressados é a receita do comerciante Ricardo Aparecido Fávaro. Mas ele conta que nem sempre foi assim. ''Há quatro, cinco anos eu só saía de casa em cima da hora, às vezes atrasado, e me estressava muito, vivia nervoso. Chegou um momento que percebi que não dava para ser assim, a gente vê muito acidente por aí.'' A mudança de comportamento de Fávaro também foi motivada pela presença constante dos filhos de 15, 10 e seis anos no veículo. ''Acho importante dar bons exemplos. Na escola, por exemplo, não paro em fila dupla. Prefiro estacionar mais longe e ir andando até a entrada'', diz o comerciante, que também não fura sinal vermelho. ''É melhor prevenir'', ensina.
A estratégia da enfermeira Simone Aparecida Nery para evitar confrontos com os mais estressados é dar preferência a eles. ''Eu saio da frente e deixo que passem.'' Para ela, muitos problemas relativos ao trânsito são causados pela falta de educação. ''Hoje em dia um quer ser mais esperto que o outro, mas educação cabe em todos os lugares'', diz.
O representante comercial Fernando Ubiratan de Freitas Castro, de Campinas (SP), estranha o trânsito londrinense acima de tudo quando está chovendo: ''Parece que os londrinenses não estão acostumados e ficam muito desatentos''. Castro, que vem a Londrina a cada 45 dias, conhece bem a realidade dos grandes centros urbanos, e revela que para manter a calma enquanto dirige pelas ruas de maior movimento toma muito suco de maracujá, além de manter um ''estoque'' de cigarro sempre à mão.
Ele acha que comparando com São Paulo e Campinas, a realidade de Londrina ainda é mais tranquila, mas, em compensação, muitos motoristas da cidade se esquecem de regras básicas, como dar seta antes de parar o veículo, mudar de pista ou virar uma esquina. ''Hoje mesmo fui fechado três vezes'', contou, logo depois de estacionar o carro em uma rua do Centro, na semana passada. Castro disse ainda que tem tentado mudar seu comportamento frente ao caos urbano. ''Já tive brigas feias por vagas em estacionamentos, por exemplo.''
O taxista Anézio Anderlin, que exerce o ofício há cerca de 40 anos, acha o motorista londrinense ainda não está preparado para o trânsito: ''Trabalhei vários anos em Manaus (AM), onde o movimento nas ruas também é intenso, mas lá o pessoal não se irrita com tanta facilidade como aqui''. Ele afirmou já ter evitado várias brigas com motoristas mais 'esquentados'. ''Tem uns que não saem quando o sinal abre e, se a gente dá uma leve buzinada para alertar, já xingam a gente.'' (S. L.)





