Agência Estado
Por enquanto, o cão ainda é o melhor amigo do homem, mas ele corre o risco de ser substituído pelo robô, no novo século. Os técnicos prevêem uma invasão de robôs nos lares de todo o mundo, fazendo as tarefas domésticas. Eles já estão ganhando cada vez mais espaço nas indústrias, na medicina e até na religião: os japoneses estão testando o primeiro robô-monge, no cemitério budista de Yokohama.
Graças à sofisticação tecnológica necessária para fazer deslanchar os programas espaciais norte-americano e europeus, será possível ao cidadão da classe média, dentro de cinco anos, acrescer um robô pessoal ao seu computador. Diferentemente dos andróides que se vê no cinema, esses robôs são pequenos e capazes até mesmo de planejar ações a um simples gesto.
Essa previsão foi feita pelo diretor do Programa Francês de Robôs para Intervenção Planetária e diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, Georges Giralt. ‘‘Estamos vivendo um momento que se caracteriza por uma mudança na história dos robôs: o da substituição das grandes máquinas utilizadas nas indústrias para as pequenas, os robôs domésticos, de uso pessoal’’, afirmou Giralt.
Segundo o engenheiro francês, já há tecnologia suficiente no campo da robótica científica para desenvolver robôs que observem a superfície de Marte durante mais de um ano, recebendo ordens apenas uma vez por dia. Também já é possível que os robôs funcionem a um simples gesto, substituindo as máquinas capazes de obedecer a um comando de voz. ‘‘Isso é fundamental, porque nem todo mundo é capaz de emitir a fala corretamente’’, observou. O que impede a produção em série dessas maravilhas, que mais parecem saídas de um bom filme de ficção científica, são, segundo Giralt, a falta de dinheiro e de vontade política.
SOFISTICAÇÃO
A sofisticação da tecnologia da robótica é tanta, observa o pesquisador, que já é possível também desenvolver robôs pessoais, de tal forma que sejam capazes de planejar ações. Um dos exemplos do uso da robótica que ele considera ‘‘espetacular’’ é feito na Medicina, com a adoção de procedimentos menos invasivos e, portanto, menos dolorosos e arriscados para o paciente.
Ele contou que, há uns dois anos, um paciente chorou de emoção depois que, em uma hora, teve ‘‘extirpado’’ um tumor localizado no cérebro por um cirurgião que o operou, no hospital da Universidade de Stanford, na Califórnia, utilizando um bisturi-robô. ‘‘Esse bisturi especial possibilita a graduação da intensidade do laser e elimina apenas as células degeneradas, sem qualquer prejuízo para as demais, sadias’’, explicou. ‘‘Mesmo que o paciente se mexa, o feixe de luz é reorientado, porque é como se o robô tivesse olhos’’, completou.
Em setembro deste ano, médicos da Clínica Universitária de Frankfurt, Alemanha, revelaram que, pela primeira vez no mundo, um robô realizou com sucesso uma operação no coração de um paciente de 74 anos.
Segundo os médicos Anton Moritz e Gerhard Greineck, o robô fez três pequenos cortes no tórax do paciente, por meio dos quais foram inseridos uma microcâmera e instrumentos usados para fechar um orifício numa parede do coração. Os médicos informaram que, por enquanto, existem apenas quatro robôs desse tipo, no mundo.

O ROBÔ-MONGE
Cuidando do corpo e da alma: os japoneses já têm seu robô-monge, construído para suprir a falta de sacerdotes no país. Entrou em funcionamento no cemitério de Yokohama (perto de Tóquio) um robô que reza todas as manhãs e se curva no ritmo da oração, movimentando os olhos e a boca com tanta perfeição que chega a confundir os fiéis.
Segundo Giralt, a tendência mundial é a de os robôs substituírem os homens nas tarefas mais complexas, como já ocorre hoje na exploração espacial e submarina, e nas menos nobres e cansativas, deixando-os livres para utilizar o tempo de forma mais benéfica. Ele contou que, em alguns países, os robôs já são empregados para limpar os shopping-centers. Os robôs também poderão dar assistência às pessoas inválidas física ou mentalmente. Com eles, será possível transportar essas pessoas de forma segura.

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