Bom, bonito e barato
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sábado, 07 de dezembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Quem está em busca de enfeites de Natal ou quer comprar presentes originais pode encontrar diversas opções no Centro Público de Economia Solidária de Londrina. Porta-guardanapos, cobre panetones, guirlandas, centros de mesa, panos de prato, toalhas, velas, caixas para presente, além de panetones, cucas, bolachas e cupcakes são algumas opções de produtos natalinos, vendidos a partir de R$ 3. Um balcão refrigerado também permite que os clientes comprem bombons, mousses e outros doces.
As produções são de 63 grupos de artesãos que fazem parte do Programa Economia Solidária. Criado em 2008, o programa atua em várias regiões da cidade e nos distritos, capacitando as pessoas para criarem e comercializarem seus produtos. Os participantes também recebem um incentivo na forma de matéria-prima, que posteriormente é devolvido em forma de produtos ou tempo de permanência no ponto de venda.
Sandra Aparecida de São Miguel é moradora do Jardim Santa Fé (zona leste) e há pouco mais de um ano entrou para o programa, juntamente com uma vizinha. Elas produzem tapetes usando retalhos de tecido e assim conseguem incrementar a renda familiar.
"Eu já fazia os tapetes para vender no meu bairro, mas era algo bem pequeno. Quando me separei precisei buscar uma fonte maior de renda, procurei o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e disse que precisava de um emprego. Então me encaminharam para cá", conta.
Na Economia Solidária ela diz que aprendeu a calcular o preço de seu trabalho e também encontrou um lugar para expor e vender os tapetes. "No meu bairro eu não podia cobrar o que vale, porque as pessoas até têm vontade de comprar, mas não conseguem pagar. Outra vantagem é que antes eu precisava pedir ou até comprar a matéria-prima e agora eu recebo de uma empresa, que doa para que eu possa reciclar", destaca.
Sandra diz que ainda não fez um levantamento de quantas peças em média vende no mês, mas que é bem superior ao que vendia quando só comercializava em seu bairro. "Também pego encomendas, é só a pessoa dizer como quer que a gente faz."
Incentivo
Outra artesã é Marinete Malaquias Ferreira, moradora do Distrito de Irerê (zona sul), que com duas amigas confecciona e estampa camisetas, sempre com motivos relacionados a Londrina e ao café. "Percebemos que não havia muito esse produto e por isso resolvemos investir nesse ramo. Já levaram nossas camisetas até para os Estados Unidos. Pelo segundo ano também fizemos camisetas para bebê incentivando o aleitamento materno", explica.
O grupo de Marinete participa da Economia Solidária há oito anos e nesse período passou de 14 para apenas três mulheres. Ela afirma que muitos acabaram se desiludindo com o artesanato, pois acharam que ganhariam muito dinheiro em pouco tempo. "Temos que ir devagar e persistir. Se eu tivesse que viver só com essa renda, não daria, mas com as vendas complemento a do meu marido e tenho um dinheirinho para meus gastos pessoais, não preciso pedir para ele", ressalta.
As artesãs se queixam que muitos londrinenses ainda desconhecem a existência do Programa e deixam de incentivar a produção. "A loja fica no centro de Londrina e mesmo assim muita gente nunca ouviu falar", lamenta Marinete.
Nelma Liberato, gerente de inclusão produtiva responsável pelo Programa Economia Solidária, explica que muitos artesãos não entendem que esses investimentos geram resultados mais devagar e acabam desistindo. "Outros descobrem que essa não é sua área e voltam para o mercado formal. Mas além do artesanato, também temos investimentos em outras áreas, como manicure e cabeleireiro, por exemplo", diz.
Serviço:
O Centro Público de Economia Solidária fica na Avenida Rio de Janeiro, 1.278 (esquina com a Av. JK) e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30. Nos dias 12 e 13 de dezembro os artesãos irão vender seus produtos no Calçadão, em frente ao Banco do Brasil.


